domingo, 28 de novembro de 2010

LEITURA DRAMÁTICA: 1835 – ALUFÁ LICUTAN CONFESSA - A REVOLUÇÃO MALÊ


Jaime Sodré

LEITURA DRAMÁTICA: 1835 – ALUFÁ LICUTAN CONFESSA - A REVOLUÇÃO MALE
Autor: Jaime Sodré
Direção: Ângelo Flávio
Teatro Vila Velha
28/11 | dom | 16h
Grátis
A peça aborda, de forma lúdica e histórica, a Revolução Malê, episódio importante da historiografia baiana, tendo como personagem central a figura deAlufá Likutan, considerado pelo escritor Jorge Amado o personagem brasileiro que ele mais apreciava, embora sendo o mais esquecido de todos e enterrado em cova rasa pelos senhores de escravos, necessitando ser reabilitado nas paginas da história e no campo das artes. A Direção da leitura fica por conta de Ângelo Flávio, diretor que tem sua trajetória ligada à militância política em defesa dos direito humanos, temas polêmicos e que sempre fazem parte de seus trabalhos artísticos.
Ângelo convidou os seguintes atores para a leitura deste domingo (28/11): Amarilio Salles, Cell Dantas, Eduardo Machado, Hamilton Lima, Inácio Deus, Jamile Alves, Marcio Bacelar, Marijane Sousa, Rui Mantur, Sérgio Guedes, Sergio Laurentino, Valter Seixas Junior, Vinicios Nascimento e Vinicios Oliveira Oliveira, além da participação do público que estiver presente.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Bença em clima de despedida



Márcio Meirelles, Jorge Washington e Carlinhos Brown

Em cartaz até o dia 28 de novembro, no palco principal, do Teatro Vila Velha, o espetáculo ‘Bença’ vai se despedindo do público de Salvador e Região Metropolitana, pois é nesta semana  que encerra a temporada em Salvador. Depois o Bando viaja no dia 3 de dezembro para o Rio de Janeiro onde apresentará o seu mais novo espetáculo no Teatro Tom Jobim. E sem pausa para o descanso participa do Festival Mundial de Artes Negras, no Senegal.

No fundo, imagem de Makota Valdina falando sobre o tempo


O espetáculo ‘Bença’ vem encantando o público e surpreendendo críticos e personalidades do meio cultural. Neste último final de semana o espetáculo contou com a presença do cineasta Zózimo Bubul e Carlinhos Brown, que assistiu Bença dois dias consecutivos.


Cássia valle, Brown, Merry Batista, Márcio, Ednaldo e Maurício Lourenço
 Muniz

Tradição e tecnologia se integram e permite mostrar ícones da cultura afro-brasileira no palco contracenando com os 19 atores do Bando. “Bença é pra ser assistida mais de uma vez, o palco é gigantesco e nele os lindos atores do Bando de Teatro cantam, dançam , tocam, filmam e representam com maestria”, afirma, o psicólogo Valter da Mata.



SERVIÇO:

Bença
Palco Principal do Vila Velha
De 05 a 28/11 | sex, sáb e dom | 20h
R$20 e 10

Saiba mais em: www.acenatapreta.com.br / www.bandodeteatro.blogspot.com


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Bença

 Valter da Mata*


“Esse chão aqui tem dono, chama por Deus e vombora.”, são com essas palavras, na voz de Arlete Dias, que tem início Bença** , o novo espetáculo do Bando de Teatro Olodum, em cartaz em curtíssima temporada até o dia 28 de novembro de 2010.
Quem adentrar o Teatro Vila Velha atrás do riso fácil, cacos e improvisações, certamente sairá decepcionado. Longe do ritmo nervoso de seus espetáculos mais famosos como Cabaré da RRRRRRaça ou Ó Paí Ó, Bença vem juntar-se a O Novo Mundo, na linha dos trabalhos mais introspectivos do Bando, resgatando histórias e saberes afrobrasileiros.

Ridson Reis, em performance no espetáculo Bença
Bença é um espetáculo denso, como diz o caderno é uma “homenagem ao tempo e aos mais velhos”. Bença possui um visual poderoso, é uma peça de imagens, onde a platéia é remetida a um passado não tão longínquo, para se  dar conta de como a modernidade pode ser prejudicial às relações humanas.
“Não pensem que quando vocês estão no palco representando, vocês estão sozinhos”. Vaticina Makota Valdina através de um vídeo tape. E realmente não estamos sós, em Bença a atmosfera é repleta de seres imateriais, energia ancestral. O texto é denso e repleto de informações auditivas , visuais e olfativas.
Senti-me extremamente incomodado ao ver minha imagem na tela, pois deu-me a idéia de que eu também era um ancestral, que meu tempo sobre a terra tinha passado, me colocou em contato com minha finitude, com a minha transitoriedade, que efetivamente algo que não pensamos. É um espetáculo complexo e belo, o texto de Márcio Meireles é uma celebração a ancestralidade, respeito e sabedoria.


            A atriz, Rejane Maia
Essa sabedoria a que o espetáculo se refere é o conhecimento dos mais velhos. Conhecimento esse cada vez mais desprezado pela neurose urbana e do desenvolvimento tecnológico. “O tempo pede tempo ao tempo pra agir. E a gente às vezes, não entendendo o tempo, se sente atropelado. Mas se for manso com o tempo, convive com ele e chega onde deseja, né?”. Fala também através do vídeo Bule Bule, outro ator “ad hoc” desse lindo espetáculo.
Bença nos fala do respeito aos mais velhos, que é essencial nas diversas culturas vindas de África. Somos convidados a refletir a simplicidade de outrora das relações interpessoais e o sentido de se sentir abençoado pelos mais velhos através do simples pedido: bença. “Coisa que hoje está se perdendo. E que antigamente era até comum. Na vida comum você tinha isso nas famílias. As famílias negras sobretudo: tinha-se muito respeito, muita reverência com aqueles mais velhos”. Nos informa Makota Valdina em outro momento importante.
Quando o espetáculo se encerrou, simplesmente tive dificuldade de aplaudir. Não pela qualidade da peça, ou do entendimento de que ali era o final da proposta (como aconteceu com algumas pessoas), mas sim pelo impacto que tais conteúdos me causou, as reflexões que ele me conduziu.
Bença é pra ser assistida mais de uma vez, o palco é gigantesco e nele os lindos atores do Bando de Teatro cantam, dançam , tocam, filmam e representam com maestria. A coreografia de Zebrinha é contida e oportuna para o espetáculo, assim como o figurino clean de Zuarte Júnior.
Parabéns ao Bando de Teatro Olodum, que no seu aniversário de 20 anos, nos brinda com esse lindo espetáculo.
Bença Bando!
 **Bença é a forma que a palavra benção é dita no estado da Bahia.
*Valter da Mata é Psicólogo e Mestre em Psicologia Social. Está Presidente do Conselho regional de Psicologia da Bahia e também fã do Bando de Teatro Olodum.

Postado em :

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Bando de Teatro Olodum comemora 20 anos com a estréia do espetáculo Bença


Por Arlon Souza

imagem 1 Bença
 No começo, o silêncio. O tempo da pausa. O público, ávido por ação, repousa o olhar num elenco contemplativo. Talvez, se perguntando: “Eles não vão fazer nada?”. Na verdade, já faziam: questionavam o conceito e o ritmo do tempo. Do tempo desenfreado da vida. E nessa suposta não-ação, o Bando de Teatro Olodum investia em diversos elementos do teatro pós-dramático. Nesse caso, a experiência cênica passa a ser o foco do trabalho. Não há nela propriamente a construção de personagens, mas sim questões que identificam essas personagens num contexto social contemporâneo. E o espaço convencional do teatro dá lugar a uma instalação performática, onde o vídeo, a música e os atores criam essa atmosfera.  


Bando de Teatro Olodum em "Bença" 2












Em “Bença”, a dramaturgia se fragmenta em depoimentos de personalidades da cultura negra e religiosa da Bahia, no saber popular coletado em terreiros de candomblé e na lúcida fala dos mais velhos, que se potencializam pela liguagem audiovisual, no corpo e na voz dos atores. Vestidos de branco, eles sugerem neutralidade. 
A musicalidade do espetáculo é contínua, fluida e se compõe pelo jogo verbal e pelo cruzamento de diversas sonoridades. Em tempo real, o grupo captura e projeta imagens, “pulveriza” sons de base eletrônica e percussiva e desenvolvem suas partituras cênicas. Se percebe um ambiente em que o timing da cena não é um sistema completamente fechado, o elenco parece ter autonomia para intervir e se expressar de acordo com códigos pré-estabelecidos com base no repertório acumulado nos dois anos de pesquisa do projeto “Respeito aos Mais Velhos”, que tem patrocínio do edital de manutenção de grupo cultural da Petrobrás. O que permitiu um intenso laboratório sobre as questões que norteiam o tema.  
Valdina Pinto, Makota e educadora religiosa do terreiro Tanuri Junçara, é uma das personalidades do espetáculo
Valdina Pinto, Makota e educadora religiosa do terreiro Tanuri Junçara, é uma das personalidades do espetáculo
“Bença” é uma montagem teatral perturbadora, que questiona a tolerância com o indivíduo em estágio de plena maturidade, que fala, se movimenta e pensa num tempo diferente. É algo que desafia o público a refletir sobre o rico arsenal de conhecimentos de pessoas célebres e, ao mesmo tempo, simples.
Abençoado seja aquele que assistir ao Soterópolis nesta quinta-feira, às 22h, e a reprise no domingo, às 18h. Até lá.
O espetáculo continua em cartaz no Teatro Vila Velha, às sextas, sábados e domingos, 20h, até o dia 28 de novembro. Mais informações pelo telefone (71) 3083-4600.


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Festival A Cena Tá Preta apresenta "O Dia 14"

Dia 14
Quem quer uma outra opção de lazer  e quiser dá um passada hoje a noite no Teatro Vila Velha poderá conferir  o espetáculo da  Cia Teatral Abdias do Nascimento - CAN, direção de Ângelo Flávio. Hoje as 20 hs, no  Cabaré dos Novos do Vila. O enredo mostra o caos social como reflexo do passado colonial e escravagista. Os atores apresentam ao público a realidade do dia depois da falsa abolição da escravatura.


O II Festival A Cena Tá Preta realizado pelo Bando Olodum em parceria com o Coletivo de Produtores Culturas do Subúrbio acontece até o dia 28 de Novembro. Arte Negra local, nacional e internacional apresentadas através de: exibição de vídeos,espetáculos teatrais e leituras dramáticas. Confira clicando aqui!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Bença!





Fotos de João Meirelles em ensaio do espetáculo
O Bando de Teatro Olodum pra mim é mais que importante. Olho para cada um dos atores com um ar de admiração, creio que eles não tem noção do quanto importantes eles são para mim e para milhares de pessoas (ou tenham, não sei!). Lembro exatamente do dia em que vi uma peça do Bando pela primeira vez, não foi exatamente uma peça, foram trechos de uma. Primeira exibição do Programa Espelho comandado por Lazaro Ramos, no decorrer do programa eram exibidos trechos de Cabaré da Raça. Fiquei encantada com aquilo, achei mais que deslumbrante! Eles estavam falando de mim e para mim. No outro dia, fui ao Vila Velha assistir “Bakulo – Os Bem Lembrados”, peça da Cia dos Comuns (RJ) e lá vi diversos atores do Bando, aqueles que um dia antes tinham falado para mim. Eu tinha 15 anos de idade e lembro que olhava para Erico Brás admirada, a minha vontade era só abraçá-lo e agradecer, naquele momento eu não sabia exatamente por quê, mas era só isso que eu queria. Mas não o fiz, por conta da vergonha. Saindo de lá descobri que no outro dia haveria uma sessão única de “Cabaré da Raça”, fiquei louca, queria ir de qualquer jeito e fui. FOI LINDO! Só posso dizer isso, saí de lá maravilhada com tudo.

Depois desse dia sempre que vejo algum ator do Bando, eu penso: - “Ela/Ele é do Bando!” e aquele olhar de admiração volta. Eles foram muito importantes para minha formação. Formação como ser humano, como mulher negra nessa sociedade racista em que eu me encontro. Queria um dia poder dizer para eles tudo isso, mas sempre fico com aquela vergonha, igualzinha àquela de quando vi todos os atores do Bando de Teatro Olodum pela primeira vez.

E é por tudo isso que eu estou demasiadamente ansiosa para a estréia de “Bença”, peça do Bando que fala principalmente do respeito aos mais velhos. E isso está diretamente ligado a mim. Minha vó sempre me disse o quanto era/é importante os respeito aos mais velhos e sempre cobrou ‘bença’ para ela e para os outros mais velhos. Meus pais e tios seguem com os mesmos valores e eu, meus irmão e primos não somos diferentes. Catarina, mãe de Perola Nehanda e Vinicius, pai de Suiane, já ensinam a elas a importância da bença, do respeito, valores que vem sendo perdidos ao longo dos tempos. Dona Hilda deixou tudo encaminhado aqui, passou tudo certinho para todos nós e seguimos a cartilha ao pé da letra, viu Vovó?!

Respeito e valorização da cultura afro - brasileira são características que
marcam o Bando
Agradeço a Jorge Washington, Erico Brás, Auristela Sá, Cássia Valle, Elane Nascimento, Valdinéia Soriano, Sérgio Laurentino, Telma Souza, Leno Sacramento, Fábio Santana, Arlete Sales, Ridson Reis, Robson Mauro, Geremias Mendes, Cell Vale, Jamile Alves, Ednaldo Muniz, Zebrinha, Jarbas Bittencourt, Chica Carelli e Márcio Meirelles.

(Desculpa se eu esqueci de alguém!)

Obrigado por retratar um pouquinho da minha história em cada peça encenada.

A Bença aos mais velhos!

*Postado em seu blog: Toda Menina Baiana Tem...
Confira programação A Cena Tá Preta

terça-feira, 16 de novembro de 2010

IV Encontro de Cinema Negro integra A Cena Tá Preta


Filme Bróder (Inédito) - de Jeferson Dê - é uma das atrações e será
exibido dia 17, quarta, as 19h 
 Personalidades expressivas do Cinema Negro local, nacional internacional estarão presentes neste IV Encontro que integra o II Festival A Cena Tá Preta. A entrada é franca e acontece entre os dias 16 a 18 de novembro. Mais informações acesse: www.acenatapreta.com.br

Rede Globo exibe filme Ó Paí Ó: Do Jeito que o Diabo Gosta


 O filme nasceu das duas temporadas da Série Ó Paí Ó - do Bando de Teatro Olodum


Depois do sucesso nacional do filme de mesmo nome, a Globo lança a série Ó Paí Ó, que conta a história dos moradores de um cortiço animado do Pelourinho, o centro histórico de Salvador. O enredo principal é centrado no par romântico Roque, que sonha em se tornar cantor, e Dandara, um dançarina sensual. 
Título Original: Ó Paí Ó
Elenco: Lázaro Ramos, Aline Nepomuceno, Matheus Nachtergaele e Luciana Souza.
Direção: Monique Gardenberg
Gênero: Comédia





Voinho

Expectadora homenageia o Bando com poema escrito à uma pessoa especial. Confira abaixo. 
 
Saí ontem do espetáculo mais que emocionada, muito mexida. Se eu estivesse na 'Roça', certamente, alguém diria: " o Santo vai pegar esta menina..."
Voltei pra casa e fui deixando pedaços de mim seguirem com as lembranças de meus avós, dos meus mais Velhos, dos Velhos que forjaram a Velha menina que sou hj...
Futuquei meus arquivos e achei este poema que fiz pra Voinho quando ele se foi... Até hoje dói! Um homem de Ogum, nascido em Cachoeira (1913) e criado no Maciel de Baixo, Pelourinho. resolví dividir com vcs em forma de agradecimento pelo belissímo trabalho realizado: "BENÇA".
E, o meu desejo mais sincero que todos os nossos "Velhos" ancestrais, possam derramar sobre TODAS as pessoas que se debruçaram sobre a árdua tarefa de falar do mel e do féu da velhice com tanta dignidade e respeito, um pouco da muita  sabedoria que carregam.


VOINHO

Tapioca torradinha, lelê, aquele café bem quente e a chuva
acalentando o sono
as piculas nas escadarias do paço
o candomblé bem tocado e missa no rosário
os filhos de gandhi descendo pra santa luzia
(a doce bravura do povo de ogum)
o jogo do bicho de todo dia - vai dar cobra na cabeça!
(o mangue todo!)
as cotidianas reclamações sobre as coisas que ainda não havia aprendido
- e sobre aquelas que não deveria ter aprendido
as primeiras provas de amor que tive na vida
vovó bia, cachoeira, a baixa dos sapateiros, a feira de água de meninos...
e mais tudo de mim que morreu um pouco quando o senhor partiu




Texto: Urânia Munzanzu

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Lázaro Ramos lança livro em Salvador



Depois de consagrar a sua carreira como ator, Lázaro Ramos lança, em Salvador, o seu primeiro trabalho como escritor. Trata-se do livro infantil A Velha Sentada, que conta a história de uma menina muito desanimada que ouve da vizinha que ela parece ter uma velha sentada na sua cabeça. Curiosa, a menina entra na própria cabeça para achar essa velhinha. O lançamento acontece, dia 14, domingo, às 15h, no Teatro Vila Velha (Passeio Público).

Ação integrante do programa "A Cena tá Preta", o evento contará, ainda, com a participação de outros artistas convidados, a exemplo do Bando de Teatro Olodum, companhia de teatro que o ator faz parte.

Publicado pela Editora Uirapuru Projetos Educacionais e Tecnologia,

A Velha Sentada faz parte do Projeto Tela & Papel, que tem foco na melhoria da qualidade da educação brasileira.

Serviço:
O quê: Lançamento do primeiro livro infantil de Lázaro Ramos, A Velha Sentada;
Quando: Domingo, dia 14, ás 15h;
Onde: Tetro Vila Velha, Passeio Público - Campo Grande - Salvador - Bahia;
Quem: Presença do autor do livro, o ator Lázaro Ramos e outros artistas que estão participando do projeto A Cena tá Preta.

Informações:
Maíra Azevedo - 71 9919-4468 ou
pelo site: http://www.acenatapreta.com.br/







Espetáculo "OriRe" faz apresentação única em Salvador


A TARDE On Line

O espetáculo "OriRe" fará apresentação única em Salvador na próxima segunda-feira, 15, às 20 horas, no Teatro Vila Velha. A montagem, que conta a saga de um heroi que confrontou a morte, pertence ao projeto “A Cena Tá Preta” - festival de arte negra que celebra os 20 anos do Bando de Teatro Olodum. "OriRe" traz a corporeidade dos Orixás, do samba de roda do Recôncavo Baiano e a potencialidade dramatúrgica dos itans - contos africanos correlatos - misturados às clássicas tragédias gregas.

Serviço
O quê: Orire - A Saga de um herói que confrontou a morte - RJ 
Onde: Palco Principal
Quando: dia 15/11 - Seg - 20h
Valor: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia entrada).
Classificação: 14 anos
Informações: (71) 3083-4600
Veja matéria inteira no clicando em: A Tarde On Line / Site: www.acenatapreta.com.br

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Tempo de reafirmar

O Bando de Teatro Olodum celebra 20 anos com 'Bença',
 uma articulação entre seus passado e presente

*Luiz Felipe Reis

Uma noite em claro envolto em tentativas para solucionar problemas técnicos, um voo-relâmpago de ida ao Rio e outro de volta a Salvador na mesma tarde, e um início de noite conturbado, entre o acerto de detalhes imprescindíveis a uma ocasião especial: o suor que ainda escorre pela testa e a expressão de cansaço que contorna o rosto do diretor Márcio Meirelles não são em vão. A poucos minutos da estreia de “Bença”, encenação que marca sua volta à direção teatral, após quatro anos de afastamento, e celebra os 20 anos do Bando de Teatro Olodum, o que se vê é um homem completamente entregue ao seu ofício.

— Isso aqui tá um caos... — desabafa Meirelles. — Esse negócio de tecnologia a gente não controla.
Acho que vai dar tudo errado.
Tenho que resolver muita coisa.
Vestido de branco dos pés à cabeça, como pede Oxalá em noite de sexta-feira, o fundador do bando está de pé no segundo piso do Teatro Vila Velha, um dos palcos sagrados da cultura de Salvador e que hoje serve como centro de estudos da trupe. A cadeira livre a seu lado não parece ser o convite ideal. Grudado às barras de ferro que lhe servem como amparo, o diretor não se desconecta do que ocorre lá embaixo, onde 19 atores já se movimentam com seus trajes alvos em meio a uma série de peças de percussão, como surdos, tambores e até panelões de ferro. Em pouco mais de 20 minutos, o que era apenas um atabaque a ressoar timidamente se transforma numa verdadeira orquestra percussiva. A plateia adentra o espaço, e a montagem se inicia como num ritual, pontuado por cantos, coros, toques e gestos coreografados.
Uma hora e meia depois, já coberto pelos afagos dos amigos e a certeza de que a essência do seu teatro se mantém, Meirelles relaxa.
E recostado numa banco do lado de fora do teatro, ele fala de “Bença” como a articulação entre o passado e o presente do Bando de Teatro Olodum, como algo que se confunde com o legado do grupo: resgate e reafirmação cultural.



Elane Nascimento, Telma Souza, Cell Dantas, Leno Sacramento e Valdinéia Soriano


— O Bando começou a partir de uma ansiedade estética, por ver que uma cidade de maioria negra não tinha negros no palco. Pelo fato de não existir uma dramaturgia negra, sendo que os elementos das tradições africanas são extremamente cênicos e dramáticos — explica Meirelles. — O ritual do candomblé, por exemplo, é como uma ópera oriental... Os gestos coreográficos são códigos de uma narrativa. Mas isso nunca havia se transformado em teatro. Era essa a minha inquietação e o que fiz ao longo dos anos e com “Bença”. Me dá orgulho ver que hoje fazemos parte da História, que somos referência de um modo negro de se fazer teatro.
Como fundador do Bando de Teatro Olodum, Márcio Meirelles não só levou a cultura negra para os palcos como definiu uma linguagem cênica e dramatúrgica particular, algo que se evidencia em “Bença”, montagem que chega ao Rio no dia 10 de dezembro.

Além de servir como marco de um ciclo de 20 anos de atividade, a peça propõe um resgate da cultura e da memória populares, tendo como mote o respeito aos mais velhos e à sabedoria dos ancestrais. Mesclando artesanato e tecnologia, a encenação conta com 19 atores e dois músicos, que contracenam com depoimentos projetados em dois grandes telões instalados nas laterais do espaço e outro no chão do tablado.
Através das falas e dos cantos dos atores, ou das simples palavras ditas por figuras emblemáticas da cultura negra baiana, como Bule-Bule, Cacau do Pandeiro, D. Denir, Ebomi Cici, Mãe Hilza e Makota Valdina, a peça investiga a passagem do tempo, o conceito de morte e religiosidade.

— Tudo começou num projeto de pesquisa construído através de registros audiovisuais com essas antigas lideranças negras. A Makota Valdina, por exemplo, é uma mãe de santo que me guia desde o começo.

Dizia como era, como não era, dava esporro, ensinava os caminhos... — lembra o diretor. — Há uns dez anos surgiu a vontade de falar sobre o tempo, que é uma grande questão para o ser humano. E, principalmente, dentro das tradições que formam as culturas africanas.
Com uma estrutura narrativa não linear, a peça trata a passagem do tempo como algo construtivo e circular, e não como um elemento fadado a nos levar ao fim, ao término da vida.

— Em nossas entrevistas, encontramos líderes que se mantinham vivos apenas para esperar alguém para substituí-los. Isso resume bem o nosso trabalho de garimpagem do conhecimento, uma sabedoria que não se encontra nos livros e que acaba se perdendo se não for resgatada — afirma a diretora de produção Chica Carelli.      



Acima imagem do músico e repentista  Bule Bule 

Presença marcante nos vídeos que compõem a peça, Makota Valdina, de 66 anos, surge na tela enfileirando críticas ao corre-corre da vida moderna, “onde os valores se perdem”, diz, redimensionando o conceito de morte, mas, principalmente, resgatando a importância dos ancestrais.

— Acho que a mensagem principal é parar e pensar no tempo. No hoje, no que foi e no que será — diz Makota, nascida Valdina Oliveira Pinto. — Não estamos sabendo viver o nosso tempo. Estamos atropelando a marcha e priorizando o tempo que temos de forma errada, ou seja, sem interação. Substituímos as relações humanas por trocas não humanas.

Integrante do Bando desde 1994, apesar de estar morando no Rio, Lázaro Ramos embarca para Salvador no fim de semana para conferir o novo trabalho do grupo, responsável, em suas palavras, “por minha formação artística completa”: — A experimentação e a dramaturgia trabalhadas ali são fundamentais para contar a História do teatro brasileiro, que, às vezes, se restringe ao que é feito no Rio e em São Paulo.

O Bando desenvolve uma linguagem e um tipo de atuação únicos. Ao longo dos dez anos em que estive fixamente no grupo, não houve um dia em que eu não estudasse teatro, ensaiando, pesquisando linguagem ou fazendo alguma capacitação. É bonito ver que, depois de 20 anos, o passo além do bando é olhar para trás, resgatar a tradição.

Ciente do poder de comunicação de Makota Valdina, do seu corpo de atores e do repertório que esculpiu ao longo de 20 anos, Márcio Meirelles enxerga sucessos como “Ó paí, ó”, “Bai bai Pelô” e “Cabaré da rrrrraça”, além de talentos como Lázaro e a criação de uma linguagem teatral própria como frutos de um discurso estético que se transmutou, aos poucos, em ferramenta de transformação social e política.

— O que vejo hoje é que aquilo que era um projeto estético se transformou num projeto politico — afirma. — Afinal, quando comecei a fazer teatro, em 1972, durante a ditadura, encarava o palco como uma ferramenta política. Fazia teatro para conscientizar, contestar, mudar o mundo e transformar o Brasil. O teatro continua sendo isso para mim. É um discurso político.

Você convoca uma assembleia, um debate, uma discussão. Isso é sempre o mais importante.

O repórter viajou a convite do Bando de Teatro Olodum.

*jornalista do O Globo, matéria publicada dia 9/11 na editoria de cultura/ segundo caderno


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Bença!


Fernanda Júlia

Ao entrar no teatro o encontro com Oxalá é inevitavel, Yemanjá passeia fagueira junto a ele e Nanã olha longa e profundamente nos meus olhos.
Como me tocou este espetáculo!
Como é maravilhoso ver a tecnologia e a arte trabalharem juntas em prool do candomblé, da arte negra, do antigo, do ancestre da divulgação e propagação da cultura negra.
A bênça tem sabor, e o seu sabor é o de ebô, coco e mel, uma comida de Oxalá.
Iawôs bailando em figurinos lindos e diáfanos, e transmitindo o seu axé de noviça, pedindo a bênça aos mais velhos.
O corpo, a dança sagrada que fala melhor que qualquer texto, vigorosa e lenta, a dança deste espetáculo tem a maturidade de quem possui muitos, muitos anos de santo e como diz no candomblé: Zebrinha é de a bença!!! kkkkkk
Chorei. Lembrei de mim, do Oyá L´Adê Inan minha casa de axé, da minha vó de Ogum, da minha mãe de Oyá, dos meus mais antigos.
Pra mim foi como estar nas águas de Oxalá onde o branco funfun impera clareando a vista, a vida, o caminho.
A música hipnótica, sagrada que faz silêncio sem parar de tocar e que traz o Orixá,  trouxe Omolú pra pertinho de mim.
O bando faz 20 anos e se fez iawô pra ver o tempo passar e isso é lindo!
Nunca vi o bando assim... silencioso. Que tempo maravilhoso!
A linha do tempo no programa é mais que um registro é material, é um chamado pesquisadores nós existimos, nós fazemos história!
Que agora a pretitude acadêmica se pesquise, fale sobre si e não das novidades colonizadoras que rendem livros, dissertações e teses.
O Bando é necessário nesta cidade e eu espero que vocês nunca esqueçam disso.
Parabenizo a todos que fazem este grupo, e a todos que colaboraram com este espetáculo.
Que Oxalá e Tempo nunca falte e que na dianteira Ogum esteja abrindo todos os caminhos.
Adupé!
Axé!

 

Bença, Bando.


*Por Meire Freitas
"O destino dá a você o caminho Ifá é que vai transformar", Ebomi Cecí/ foto: João Millet Meirelles
Reflexão. Essa era a expectativa de quem, no final de semana, apostou consciente na estreia de Bença, a nova montagem do Bando de Teatro Olodum. O cheiro de folha, ainda na entrada do Teatro Vila Velha na última sexta-feira(5), anunciava a áurea diferenciada que tomaria conta do ambiente transportanto a plateia para assistir de camarote, mais uma vez, a nossa realidade.
No início só o som dos instrumentos e a imagem de Mario Gusmão passeia pelo cenário. A viagem vai começar. Às vezes para dentro da gente, se perdendo nas nossas contradições ou indo na direção certa dos nossos valores. De quem tem. Por outras vezes para o íntimo do outro que está perto, mas que insistimos em ver com nossos olhos quase sempre. Bença nos empresta o olho alheio.
Ter noção de como estamos vivendo nem sempre é bom, mas necessário. Imprescindível para alertar, para mudar de postura e trilhar no caminho certo. Para quem teve a sorte de ser orientado, mesmo antes de andar, resta o inconformismo de ver o que está errado e o alívio de que não vai olhar para trás e deixar o rastro do desrespeito a tudo que estava aqui antes da gente. A música, o texto e demais referências gritam a essência da temática negra, mas o discurso amplia e fala de um lugar onde qualquer um pode ser encaixado.
As falas dos personagens e os depoimentos de Bule-Bule, Cacau do Pandeiro, D. Denir, Ebomi Cici, Makota Valdina e mãe Hilza soam familiares. São os chamados ou conselhos de pessoas mais velhas, parentes ou não, que contribuíram e continuam ajudando na nossa eterna formação humana. Intervenções que, como eles mesmos diziam, um dia a gente ia entender a causa, a importância e o efeito.
 
Não há como fugir da inquietação provocada por dúvidas, angústias, incertezas ou certezas quando lidamos com temas como morte, ancestralidade, futuro e valores. Às vezes não são assuntos que desejamos encarar em uma noite do final de semana. Mas aí vem o silêncio dos atores, só a música ou uma intervenção mais amena para ajudar a assimilar as coisas. No final somos sozinhos fisicamente no palco. Anestesiados, demoramos a aplaudir tudo aquilo que eles, os atores ao saírem de cena, deixaram com a gente.
 
Bença, Bando.
 
*Meire Freitas é jornalista do A Tarde

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

HOJE , 5//11, INÍCIO DO II FESTIVAL A CENA TÁ PRETA

Festival de arte negra  que celebra 20 anos do Bando Teatro Olodum.
 'Bença'  é o espetáculo da abertura
  Arte, cultura, teatro e diversidade são alguns dos elementos presentes na segunda edição do festival A Cena Tá Preta! que acontecerá no mês de novembro, no Teatro Vila Velha. Organizado pelo Bando de Teatro Olodum, em parceria com o Coletivo de Produtores Culturais do Subúrbio, A Cena Tá Preta! busca dar mais visibilidade à Cultura Afro, em comemoração ao mês da consciência negra. O Festival começa hoje e se estende por todo mês. As atividades terão preços populares e acontecerão em diversos horários. O festival foi contemplado no Prêmio Funarte Festivais de Artes Cênicas 2010 e no edital Novembro Negro da Secretaria de Promoção da Igualdade – SEPROMI.

  Realizado pela primeira vez em 2003, o festival, nesta edição, celebra os 20 anos de existência do Bando e divulga a temática negra em âmbito local, nacional e internacional, com foco nas experiências inspiradas em raízes afro-descendentes.  Além disto, esta segunda edição promoverá a troca de experiências entre grupos de teatros, sobre produção e criação dos espetáculos e abre espaço para mostras audiovisuais, teatrais e da literatura negra, oficinas, debates entre os artistas, público e convidados. Atriz, diretora e produtora do Bando, Chica Carelli reforça a importância deste evento para a dramaturgia e a estética negra contemporânea. “São dois aspectos importantes que destaco deste Festival, a integração entre artistas negros locais, nacionais e internacionais e a oportunidade de propiciar discussões e mostras à população sobre a cultura negra. Devemos à Bahia um Festival de arte negra, e de fato é missão do Bando de Teatro Olodum realizá-lo”, destaca.

  Em anexo tem a programação completa da atividade

Festival A Cena Ta Preta!
Onde: Teatro Vila Velha
Quando: De 05 a 28/11/2010
Quanto: Cinema , leituras e workshop: Grátis | Espetáculos de teatro R$ 10 e 5 | Espetáculo Bença! R$ 20 e 10
Realização: Bando de Teatro Olodum e Teatro Vila Velha
Produção: Coletivo de Produtores Culturais do Subúrbio
Telefone: 71 3083.4600 / 8708.9762

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

TEMPO – SENHOR SOBERANO

“É do tempo que quero falar. De como dispomos do tempo. De como somos ansiosos em relação a ele. De como nós não sabemos mais viver o tempo, todo o tempo que o tempo tem. É preciso calma para que as coisas possam fluir do jeito que as coisas são.”

Por Márcio meirelles
09/06/1998
  • Durante o processo de montagem de BENÇA, arrumando arquivos, encontrei este início do que seria – e nunca foi – artigo para um jornal: 1998.
  • Para comemorar os 10 anos do Bando, montamos um projeto chamado RESPEITO AOS MAIS VELHOS, que envolveria a gravação de depoimentos e histórias de pessoas idosas, que são lideranças e patrimônio das comunidades de santo, de capoeira, de quilombos, para gerar um espetáculo e obras audiovisuais. Não realizamos o projeto naquele momento: 2000.
  • Sou convidado para ser secretário de Cultura. O Bando retoma o projeto – sem mim – inscreve-se num edital da Petrobras e é contemplado. Depois de ÁFRICAS, dirigido por Chica, que fala, para crianças e adolescentes, de nossos ancestrais, um projeto com e sobre eles. Uma homenagem ao tempo: 2007.
  • O Bando completa 20 anos. Conclusão do projeto RESPEITO AOS MAIS VELHOS: a montagem de um espetáculo, resultado da pesquisa e do processo: 2010.

Da direita para esquerda, os diretores: Márcio Meirelles, Zebrinha e Jarbas Bittencourt

BENÇA, TEMPO!

*Por Jarbas Bittencourt

Ao completar 20 anos, o Bando de Teatro Olodum estreia Bença e encerra mais um ciclo de sua existência com um espetáculo impregnado pelo tempo.
 Pelos tempos idos e vindos! Pelos tempos de outrora e pelos tempos atuais! Por tantos e outros tempos contidos nos espaços finitos de nossas experiências. E, em particular, pelo tempo que percorremos durante o processo de construção dele em nós.
 Falar sobre Bença é falar sobre esse tempo e sobre o movimento das coisas através do qual ele a nós se apresenta.
Jarbas inspiração e harmonia musical à encenação teatral 'Bença'

Assim foi esse nosso tempo:
   
Era final de 2006. O Bando preparava um novo trabalho, realizando o antigo desejo de montar um espetáculo dirigido ao público infanto-juvenil. O já eleito governador Jaques Wagner convida o diretor Marcio Meirelles para compor o seu secretariado, levando a experiência adquirida à frente do Teatro Vila Velha para a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Seria um tempo sem Marcio...
    
Chica Carelli e Márcio Meirelles em ensaio do espetáculo 'Bença'

Seguimos e, sob a direção de Chica Carelli, estreamos Áfricas em 2007. Naquele momento pós-estreia, decidimos nos inscrever no Edital da Petrobras para manutenção de grupos de teatro, cuja conclusão seria uma nova montagem. Lembramos de Respeito aos mais velhos, que era uma antiga ideia de Marcio que adaptamos em nosso projeto. Fomos contemplados!

Era a primeira vez que o Bando teria um patrocínio deste tipo. Os frutos foram bons. Com a Petrobras tivemos as condições necessárias para desenvolver um projeto de muitas etapas, que nos proporcionou oficinas de preparação, apresentação de nosso repertório, seminários, viagens e construção de novas parcerias.

Dentro e fora de Salvador, seguindo o que já é uma tradição do Bando em seus processos, muitos se envolveram nesse trabalho, a exemplo de D. Cici, ebomi do terreiro Ilê Axé Opô Aganju; Everaldo Duarte, diretor da Sociedade de Cultura Negra do Brasil (SECNEB); Jaime Cupertino, líder quilombola da Comunidade de Vazante, da Chapada Diamantina; e Raimunda da Paixão, moradora de Itiúba, no sertão baiano. Eles nos contaram estórias e histórias em seminários abertos a toda a comunidade.  

Outros também nos trouxeram seus saberes, como Ubiratan Castro, Jaime Sodré, Makota Valdina, Isabel Reis e a yalorixá Mãe Valnizia de Ayrá.

Por onde passamos com o projeto fomos bem recebidos e ganhamos outros parceiros que generosamente dividiram conosco seu tempo e deram sua colaboração para a formação de um tecido polifônico, que cada integrante do Bando ia guardando em si e nas filmagens que fizemos. O nosso interesse era ouvir e registrar conversas com os representantes mais velhos de comunidades marcadas fortemente pela cultura negra.  

O tempo de ir e vir até os lugares onde encontramos e conversamos com os “mais velhos”, cujo verbo nos serve de conteúdo e contracena, foram infinitamente menores que os tempos que percorremos ao escutá-los. Eles nos abriram suas vozes, o tempo nos contou sobre a vida...

E assim chegamos ao momento de iniciar a montagem, impregnados todos pelo conteúdo diverso e profundamente tocante das realidades apontadas por aqueles que se somaram a nós nessa empreitada.

O aniversário do Bando chegou em mais uma volta dada pelo tempo, que também motivou em Marcio o desejo de dirigir a peça e, desta forma, estar junto nessa celebração.

O processo seria um grande desafio por seus muitos compromissos como secretário de estado e pelo seu forte desejo de descobrir uma forma apropriada para a expressão do conteúdo coletado por nós, ainda que isso significasse uma ruptura com nossos modos de fazer.

Era preciso negociar com o tempo...

'Bença' é o resgate cultural da população afro-brasileira

O tempo do não-personagem; o tempo da dramaturgia não-narrativa; o tempo expresso pela simultaneidade mais que pela sucessão de eventos; o tempo não-cronológico; o tempo do desenvolvimento não-linear; tempo do ininterrupto; tempo da presença e da representação; tempo do atabaque e do pick-up; tempo dos discursos múltiplos formando um todo até certo ponto deixado em aberto; tempo da volta que ao mesmo tempo é ida! 

Negociamos também com a nossa noção de tempo para melhor entender os ritmos musicais relacionados aos orixás, voduns, inquices mais velhos que compuseram a pesquisa musical e coreográfica nesse processo. Guiados por Zebrinha, desaceleramos nossa percepção para mergulhar em outros tempos necessários à execução de movimentos e sons que buscam adentrar tempos diversos daqueles com os quais lidamos no dia a dia. 

 Essa investigação nos trouxe a uma estrutura que busca expressar o fluxo dos acontecimentos no tempo através da permanência. O instante não apresentado isoladamente. Os fatos não particularizados pelas estratégias de encenação. Um moto perpétuo verbal, sonoro e gestual. Um caminho novo batendo às portas de nossa percepção.

Nesses tempos em que falamos muito sobre ancestralidade, sondamos o passado longínquo para trazer o olhar mais treinado para o instante presente e, desta forma, reconhecer os nossos ancestrais mais próximos, a exemplo de D. Deni da Casa das Minas, de quem ouvimos muito a respeito da preocupação com a continuidade das tradições.

Temos todos a responsabilidade de levar à frente lutas que herdamos no momento em que reconhecemos nossa identidade no mundo.
   
*Jarbas Bittencourt é diretor musical do Bando de Teatro Olodum

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Bando de Teatro Olodum estreia o espetáculo “Bença”



O Bando de Teatro Olodum estreia o espetáculo “Bença”, dentro da programação do Festival A Cena Tá Preta, que fica em cartaz até o dia 28 de novembro, no Teatro Vila Velha. O respeito aos mais velhos é o mote do espetáculo, que celebra 20 anos da companhia e propõe o resgate da memória cultural do povo. Em cena, os 19 atores e dois músicos contracenam com vídeo instalações de Bule-Bule, Cacau do Pandeiro, D. Denir, Ebomi Cici, Makota Valdina e mãe Hilza, figuras emblemáticas e guardiãs da cultura popular. Com linguagem contemporânea e não linear, o espetáculo trata a passagem do tempo como algo construtivo e enriquecedor. Não um tempo cronológico que simplesmente passa, mas o tempo das coisas, ou seja, ele é circular e traz benefícios. Com isso, a montagem também passa a mensagem do saber envelhecer bem. “Bença” marca ainda a volta de Márcio Meirelles como diretor de teatro, fato que não acontece há quatro anos. Tudo conspira a favor de uma justa homenagem à companhia negra mais popular e expressiva da história do teatro na Bahia.


Serviço:
Onde: Palco Principal do Teatro Vila Velha

Endereço: Passeio Público, Campo Grande

Telefone: 3083-4600

Quando: de 5 de novembro a 28 de novembro. Sempre às 20h, de sexta a domingo.

Estréia – 5 de novembro

Quanto: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia entrada)

Realização: Bando de Teatro Olodum e Teatro Vila Velha

E-mail: bando2@gmail.com

Site: http://www.bandodeteatro.blogspot.com/ http://www.teatrovilavelha.com.br/programacao

LINHA DO TEMPO DO TEATRO NEGRO NA BAHIA

   Para comemorar seus vinte anos o Bando homenageia
o Teatro Negro da Bahia

*Por Márcio Meirelles


Marta Overback e Mário Gusmão

               

O Tempo é o Senhor das histórias / O Tempo guarda muitas histórias para sempre / As histórias ficam guardadas para sempre no reino do Tempo quando não são contadas / As histórias não são contadas quando não existe voz que as conte; quando as vozes não são ouvidas; quando as vozes são caladas; quando ouvidos não conseguem escutá-las; quando ouvidos não entendem o que escutam. / Temos muitas histórias pra contar. / Temos então que restaurar nossa voz. / Temos que acostumar os ouvidos ao som dessa voz restaurada. /Temos que tirar as histórias do reino do Tempo.


Este texto que escrevi para Candaces, espetáculo da Cia dos Comuns, nos dá a dimensão dos nossos 20 anos de trabalho.
Quando a Makota Valdina nos ensina que não estamos sós no palco, que muitos dos que já passaram por ele continuam ali e nos fazem companhia, ela nos ensina também que fazemos parte de uma história. História de muitos artistas negros que ajudaram a acostumar os nossos ouvidos a outro tom, de voz e de cor. Ela nos ensina que nós, Bando, fazemos parte de um teatro negro.
O negro brasileiro tem construído um novo discurso político, acadêmico, musical e também cênico. Tem ocupado os lugares que lhe foram negados pela história oficial hegemônica.

A tese de Evani Tavares Lima – Um olhar sobre o teatro negro do Teatro Experimental do Negro e do Bando de Teatro Olodum – faz parte dessa ocupação de que falo. Registra modos de trabalhar em cena, a partir do TEN e do Bando. Entre um e outro, nos mostra que existe uma continuidade, menos visível talvez, mas de igual importância.

Sabemos que outros pesquisadores estão se debruçando também sobre esta questão, de uma forma mais precisa e científica do que nós podemos fazer. Mas quisemos, na comemoração dos nossos 20 anos, celebrar o fato de fazermos parte de uma história, pedir “bença” aos mais velhos.

Reconstruímos esta linha do tempo a partir de Xisto Bahia, sabendo que antes dele muitos outros artistas negros, de alguma forma, contribuíram para a construção de nosso teatro.

Depois de Xisto, colocamos os nomes de alguns atores, grupos, eventos em alguma data. Sabemos que muitos ficaram de fora, muitos tão ou às vezes mais importantes do que os que estão aqui. Muitas lacunas: Jaime Sodré, Evani Tavares, Gal Quaresma, Rose Lima, Grupo Arupemba, Psiti, Fafá Pimentel, Fábio Vidal, Vidoto Áquila são alguns, ao lado de outros tantos. Mas essa linha do tempo é uma homenagem e uma provocação. Um registro de ausências para que jornalistas, pesquisadores, artistas, historiadores avancem na reconstrução dessa história da qual fazemos parte:

1841 – Nasce Xisto Bahia. Xisto excursionou pelo nordeste e sudeste do país e chegou a dirigir um teatro no Rio de Janeiro, onde foi visto atuando pelo Imperador D. Pedro II. Também foi compositor de lundus e modinhas, sendo de sua autoria a primeira música gravada no Brasil: Isto é bom demais.

1894 – A Bahia lamenta a morte de Xisto Bahia, em Caxambu (MG), onde viveu, doente e afastado do teatro, seus últimos dias.

1926 – De Chocolat (João Candido Ferreira), natural de Salvador, depois de ter atuado na França, cria a Companhia Negra de Revistas no Rio de Janeiro, a primeira do gênero no país. De Chocolat, também exímio dançarino, foi chamado pela imprensa carioca de “pai do teatro negro”.

1928 – Nasce, em Cachoeira (BA), Mário Gusmão. Foi aluno da Escola de Teatro da Bahia e é considerado um dos maiores atores de sua geração. Atuou na Bahia e em outros estados. Fez trabalhos na televisão e participou de vários filmes, entre eles, O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro e A Idade da Terra, de Glauber Rocha.

1939 – Nasce Antônio Luiz Sampaio – Antônio Pitanga. Fez Escola de Teatro na Universidade da Bahia e foi ator, entre outros, em Barravento, primeiro longa-metragem de Glauber Rocha.

1956 – Morre De Chocolat, aos 66 anos.

1959 – Mário Gusmão é protagonista do Auto da Compadecida, dirigido por Martim Gonçalves. Trata-se da primeira peça na Bahia em que um ator negro recebe papel de destaque.

1959 – Antonieta Bispo forma-se na primeira turma da Escola de Teatro da Bahia, com Jurema Pena e Nilda Spencer, entre outros.

1969 – A diretora teatral e dramaturga Lucia di Sanctis funda o Teatro Negro da Bahia – TENHA, inspirado no Teatro Experimental do Negro, de Abdias Nascimento. Em plena ditadura, o grupo foi fortemente criticado pela imprensa local e desagregou-se.

1972 – Lícia Margarida participa da primeira montagem de Quincas Berro d’Água, dirigida por João Augusto, com o Teatro Livre da Bahia.

1975 – O ator Sérgio Guedes estreia no Teatro Gamboa e, durante um período, faz parte daquele coletivo, tendo depois integrado o Avelãz y Avestruz.

1975 – Alair Liguori vai para o Festival de Teatro de Nancy, com o Teatro Livre da Bahia.
1975 – A dramaturga e diretora negra Nivalda Costa monta a companhia TESTA, com a intenção de reivindicar a inserção social do negro. Na época, um dos seus textos, Vegetal Vigiado, encenado no Solar do Unhão, foi proibido pelo regime militar.

1976 – Estreia o grupo Avelãz y Avestruz, no teatro do SESC, com o espetáculo Rapunzel, escrito e dirigido por Marcio Meirelles. Neste e no espetáculo seguinte do grupo, A Rainha, a atriz Vilma Florentina atuava.

1976 – Gideon Rosa estreia em Salvador, no espetáculo Apesar de tudo a Terra se move, do Curso Livre de Teatro do Teatro Castro Alves, vindo de experiências anteriores em Buerarema, sua cidade natal.

1976 – A atriz Arany Santana ingressa na Escola de Teatro da UFBA, onde Ednéas Santos, Peter Leão, Elias Bonfim e Hélio Agapito faziam o curso livre de formação do ator.

1976 – Vilma de Leonah, depois de vários espetáculos na Escola de Teatro dirigida por Possi Neto, participa da montagem de Gracias a la vida, do Teatro Livre da Bahia.

1977 – Os atores, diretores e pesquisadores Lia Espósito e Antonio Godi fundam o grupo Palmares Inãron, com Kal Santos e Ana Sacramento. O grupo valorizava as culturas negra e indígena.

1977 – Nélia Carvalho estreia no espetáculo Senhor Puntila e seu criado Matti, do grupo Amador Amadeu.

1977 – Raí Alves estreia no Teatro Livre da Bahia, dirigido por João Augusto.

1978 – A peça de maior repercussão de Nivalda Costa, Anatomia das Feras, estreia no centro de Salvador em um evento do Movimento Negro Unificado (MNU). Seu tema central é a Revolta dos Malês. No elenco estava José Carlos Ngão.

1978 – Lucia di Sanctis e Antonio Pitanga encenam, em Salvador, O Gonzaga, com direção de Orlando Senna.

1978 – Fausto, de Goethe, é encenado pelo Avelãz y Avestruz, na Sala do Coro do Teatro Castro Alves (TCA), com os atores negros Vera Pita e Zambo. Este tinha também participado do espetáculo anterior do grupo, A Rainha, e de espetáculos do grupo Sonhos e Concretos, da Escola de Arquitetura.

1979 – Gessy Gesse encena Bocas do Inferno, ao lado de Armindo Bião, no Renascente Circus, Salvador. O espetáculo é visto por milhares de pessoas.

1979 – O grupo juvenil Explosão e Aventura funda o Grupo de Teatro dos Alagados, do qual participa Jamira Alves. Seu intuito era usar a arte para protestar contra a intolerância religiosa e a precária infraestrutura do bairro.
1979 – Surge o grupo infantil Sapinho Colorido, também nos Alagados.

1980 – Nivalda Costa e Luiz Marfuz montam A Paixão de Cristo, no Pelourinho, para a Prefeitura Municipal de Salvador. Nossa Senhora (Vera Pita) e o Cristo (Fredy Ribeiro) eram negros.

1980 – O diretor francês Eric Podor cria o grupo de teatro O Valete, formado quase que exclusivamente por atores negros, e monta, entre outras, As Criadas. Faziam parte do elenco Antonio Manso, Jandira de Jesus e Sérgio Guedes.

1980 – Surge o Grupo de Teatro do Calabar, coordenado pelo jornalista Fernando Conceição. De ação política e caráter popular, militava contra o racismo e por questões de moradia. Os atores Jorge Washington e Rejane Maia, do Bando, fizeram parte deste coletivo.

1980 – As atrizes Sueli Oliveira e Marizilda Ribeiro atuam em Sete Gatinhos, no Teatro do ICBA, Salvador.

1981 – O diretor Luiz Marfuz monta, com coreografia de Conga, Língua de Fogo, no Teatro do ICBA, Salvador. Kal Santos, Marilda Santana, Isaura Oliveira, Célia Bandeira, Hilton Cobra e Nélia Carvalho são alguns dos 13 atores negros da peça, que exaltava a riqueza cultural africana.

1981 – O diretor de teatro e educador Everaldo Duarte lidera a formação do Grupo de Teatro Ilê Aiyê, no Curuzu, Salvador. Uma de suas principais peças foi Ciço e Cida. O grupo durou 11 anos.

1982 – O Grupo de Mulheres do Movimento Negro Unificado monta Iyas, Anônimas Guerreiras Brasileiras. Com direção de Antonio Godi e Firmino Pitanga, o espetáculo reúne Luiza Bairros, Valdicélia Nascimento, Saraí Santos e Rejane Maia no elenco.

1983 – Com textos em português e iorubá, Ajaká – Iniciação para a Liberdade é encenada em Salvador, dirigida por Antonio Godi. A peça é escrita por Mestre Didi, Juana Elbein e Orlando Senna. No elenco, Ava Avacy e Firmino Pitanga.

1984 – Missa dos Quilombos é apresentada no Teatro Vila Velha, Salvador, com José Carlos Ngão e Antonio Mendes no elenco. A direção é de Edísio Patriota.

1984 – Nélia Carvalho produz e estreia o monólogo Meu Nome é Gal.

1985 – Antonio Godi, Luis Bandeira e Bira Reis montam Gueto – Retalhos Sangrentos. O trabalho resultou de oficinas organizadas pelo Grupo Experimental de Teatro do Centro de Cultura Popular (CECUP) e tratou da violência cotidiana contra os negros.

1985 – Uma das principais peças do Grupo de Teatro do Calabar, Negra Resistência, é apresentada em frente à Prefeitura Municipal e aborda o direito à moradia, denunciando a perseguição policial sofrida pelos moradores da invasão do Calabar.

1986 – Inaldo Santana e Agnaldo Lopes estão em A Vida de Eduardo II, peça apresentada no Teatro Santo Antonio (atual Martim Gonçalves), Salvador.

1989 – Diogo Lopes ingressa no Curso Livre da Escola de Teatro da UFBA.

1990 – A partir de uma oficina, nasce o Bando de Teatro Olodum, dirigido por Marcio Meirelles, Chica Carelli, Maria Eugênia Milet e Leda Ornelas. Criado inicialmente em parceria com o Grupo Cultural Olodum, o Bando tornou-se independente. Hoje, congrega 25 artistas negros de diferentes gerações.

1991 – O Bando estreia Essa é nossa praia, resultado da primeira oficina. Faz a segunda oficina para admissão de novos atores e monta Onovomundo. Em parceria com o Projeto Axé, encena com atores do grupo e jovens do projeto o espetáculo O monstro e o mar, dirigido por Maria Eugênia Milet.


1991 – É lançada a Companhia de Teatro Popular do Sesi. Dirigida por Luis Bandeira, o grupo tem como carro-chefe o teatro popular e de rua. Era chamada originalmente de Companhia de Teatro Popular Negro.

1991 – A peça Revolta dos Búzios é apresentada na Noite da Beleza Negra, promovida pelo Ilê Aiyê, em Salvador. Mário Gusmão integra o elenco.

1992 – O Bando monta Ó paí, ó!, faz a primeira temporada de seu repertório no Rio de Janeiro, no Teatro Gláucio Gil. Monta WoyZéck e faz a segunda temporada no Rio, no Teatro Dulcina.

1993 – Zebrinha passa a ser o coreógrafo do Bando.

1993 – Com Vera Holtz, Adir Assunção e Guilherme Leme como convidados, cenário de Hélio Eischbauer e música de Heiner Goebels e Neguinho do Samba, o Bando estreia Medeamaterial, de Heiner Muller, no Teatro Castro Alves.

1993 – Diogo Lopes estreia na Cia Baiana de Patifaria.

1994 – Lázaro Ramos ingressa no Bando, que passa a ser grupo residente do Teatro Vila Velha e monta Bai bai Pelô.

1995 – É lançado o livro Trilogia do Pelô, com as peças: Essa é nossa praia, Ó pai, ó! e Bai bai Pelô. O Bando faz Zumbi e é mostrado no Festival de Arte Negra, em Minas Gerais, e na Mostra de Teatro do SESI, em São Paulo. No segundo semestre, com a participação de mais de 100 adolescentes, do Coral do Gantois, do Grupo de Dança do Malê Debalê, da Banda de Percussão do Gantois, das Bandas do Apaxes do Tororó, do Ara Ketu, do Erê do Ilê Aiyê, do Malê De Balê, da Juvenil Olodum, com patrocínio da Fundação Cultural do Estado da Bahia e do Ministério da Cultura, o Bando monta Zumbi está vivo e continua lutando, no Passeio Público (Salvador/BA). Nesse espetáculo itinerante, Mário Gusmão faz sua última atuação, no papel de Ganga Zumba.

1995 – Zumbi é montado em Londres, com a Black Theatre Co-op, sob a direção de Marcio Meirelles, coreografia de Zebrinha e texto de Xango Baku, a partir da peça original e de improvisações dos atores. O espetáculo fez parte do Lift (London International Festival of Theatre).

1995 – Caetano Veloso, Hermano Viana e Sérgio Mekler escrevem uma adaptação para produção cinematográfica de Ó pai, ó!, a ser dirigida pelo primeiro. O projeto não se realizou, sendo retomado 10 anos depois por Lázaro Ramos e Monique Gardemberg.

1995 – Os Negros, de Jean Genet, com um elenco negro, é montado por Carmen Paternostro.

1995 – O grupo de teatro amador Quitamci encena Zumbi dos Palmares, com Tita Lopes.

1996 – Jarbas Bittencourt passa a ser o compositor e o diretor musical do Bando.

1996 – O Bando participa do Carlton Dance Festival, no Rio e em São Paulo, e vai à Londres com o espetáculo Erê pra toda vida/Xirê. Na volta, encena a Ópera de 3 mirréis, de Brecht. Cristina Castro é a coreógrafa do espetáculo.

1996 – Virgínia Rodrigues, atriz do Bando, grava seu primeiro CD, produzido por Caetano Veloso.

1996 – Morre Mário Gusmão, na Liberdade, Salvador, no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra e da morte de Zumbi. Tinha 68 anos.

1997 – O espetáculo Cabaré da Rrrrrraça, o maior sucesso da história do Bando de Teatro Olodum, estreia em Salvador, envolvendo questões como identidade, raça e mídia. A peça foi apresentada em várias cidades brasileiras, Portugal e Angola.

1998 – O Bando participa da reinauguração do Teatro Vila Velha, com a Cia Teatro dos Novos, no Espetáculo Um tal de Dom Quixote. Remonta a Ópera, agora de três reais.

1998 – Estreia, no espetáculo Prisioneiros da balança, dirigido por Elisa Mendes, o ator, dramaturgo e diretor Elísio Lopes Jr.

1999 – Ainda com a Cia Teatro dos Novos, o Bando monta sua primeira versão de Sonho de uma noite de verão, de Shakespeare. Monta também Já fui, espetáculo didático sobre educação no trânsito, que apresentou, no Teatro Vila Velha e em cidades do interior, para alunos de escolas públicas. Fez também turnê por várias cidades do nordeste do Brasil com Cabaré da Rrrrrraça.

1999 – Gustavo Melo faz o papel de Oberon na montagem de Sonho de uma noite de verão, no Teatro Vila Velha, onde fez, entre outros, o papel de Mefisto, em Fausto # Zero. Chamado pela Globo, vai para o Rio e trabalha em novelas e filmes, também participando da Cia dos Comuns.

2000 – Os atores Leno Sacramento e Arlete Dias, do Bando, participam do projeto Quem come quem, com atores de todos os países lusófonos, em Portugal.

2000 – Lázaro Ramos é convidado para participar do espetáculo A Máquina, de João Falcão, e vai para o Rio de Janeiro, onde inicia sua carreira nacional.

2000 – Anativo Oliveira, ex-ator do Bando, e Rejane Maia criam o Beje Eró.

2000 – O ator e diretor Ângelo Flavio funda o Coletivo Abdias Nascimento (CAN), no âmbito acadêmico, formado por jovens alunos da Escola de Teatro da UFBA. O grupo também funciona como centro de estudos.

2001 – O Bando participa da montagem de Material Fatzer, com outros 50 atores, no Teatro Vila Velha, dirigidos por Marcio Meirelles, e remonta Ó pai, ó!, que dá a Lázaro Machado o Prêmio Brasken de Teatro de ator coadjuvante.

2001 – Hilton Cobra cria a Companhia dos Comuns, no Rio de Janeiro, tomando como referência o Teatro Experimental do Negro (TEN). O grupo trabalha textos de criação coletiva e, no mesmo ano, estreia A Roda do Mundo, peça sobre a luta da comunidade negra pela sobrevivência.

2002 – Com o projeto Relato de uma guerra que (não) acabou, o Bando mobilizou em oficinas mais de 100 jovens de seis bairros do subúrbio de Salvador, para falar da greve dos policiais militares e civis ocorrida um ano antes. O espetáculo estreou no Teatro Vila Velha e deu a Marcio Meirelles o Prêmio Brasken de melhor diretor.

2002 – O Casamento do Saci, dirigido por Raí Alves, entra em cartaz no Teatro Dias Gomes, Salvador. No mesmo ano, Raí Alves integra Os Iks, oitava montagem do núcleo de teatro do TCA.

2003 – O Bando monta nove peças de cordel de João Augusto e uma de Haydiyl Linhares, no espetáculo Oxente, Cordel de Novo? Participa do projeto Teatro de Cabo a Rabo, em cidades do interior da Bahia, promovendo oficinas, intercâmbio com grupos locais e apresentando o espetáculo em praças públicas. Participa da Estação da Cena Lusófona, em Coimbra.

2003 – Érico Brás, do Bando, participa da montagem de Horácio, de Heiner Muller, em Coimbra, com outros atores lusófonos.

2003 – É lançado o livro Teatro do Bando – Negro, baiano e popular, do jornalista Marcus Uzel, com patrocínio da Fundação Palmares.

2003 – Estreia o filme Madame Satã, com Lázaro Ramos no papel título. O filme lhe dá muitos prêmios.

2003 – Coordenado por Claudio Mendes e Nauzina Santos, a Associação Cultural Herdeiros de Angola atua no subúrbio ferroviário e, desde 2008, é residente, através de edital, do Centro Cultural Teatro Plataforma.

2004 – O Bando estreia O muro, de Cacilda Povoas e participa de Auto Retrato aos 40, espetáculo comemorativo do aniversário do Teatro Vila Velha, ao lado dos outros quatro grupos residentes: Viladança, Cia Teatro dos Novos, Cia Teatro Novos Novos e Vila Vox.

2004 – O Bando remonta sua primeira peça: Essa é nossa praia.

2004 – Ângelo Flávio recebe o Prêmio Brasken de Teatro, categoria coadjuvante, pelo seu trabalho no Evangelho segundo Maria.

2004 – Participando do projeto Teatro de Cabo a Rabo, de 2004, na Mostra Arte do Interior na Capital, o Grupo de teatro Nata, de Alagoinhas, apresenta o espetáculo Perfil: só vendo pra crer, dirigido por Fernanda Júlia.

2005 – O Bando remonta Quem não morre não vê Deus, de João Augusto, e estreia no Teatro São Carlos, em Rio de Contas, Bahia. Apresenta a peça em outras cidades do interior e, em Salvador, na Mostra de Teatro do Interior, do Teatro Vila Velha, recebendo os grupos de fora.

2005 – Salvador sedia o 1 Fórum Nacional de Performance Negra, promovido pelo Bando de Teatro Olodum, Cia dos Comuns e Teatro Vila Velha. O encontro reúne companhias negras de todo o país, que trocam experiências e debatem sobre sua capacidade criativa e transformadora.

2005 – Gideon Rosa e Agnaldo Lopes atuam em ARTE, de Yasmina Reza. A peça entra em cartaz no Teatro Molière, Salvador, com direção de Ewald Hackler.

2005 – O Grupo de Teatro Nata volta ao Vila Velha, agora participando do projeto “O que cabe neste palco?”, com o espetáculo A Eleição, também dirigido por Fernanda Júlia.

2006 – O Bando participa das filmagens da adaptação de Ó pai, ó!, dirigido por Monique Gardemberg; monta a segunda versão de Sonho de uma noite de verão, estreia no festival de Ludwigshafen, Alemanha, e ganha o Prêmio Brasken de melhor espetáculo. A convite do Ministério da Cultura de Angola, o grupo se apresenta em Luanda, comemorando o Dia Internacional do Teatro. Participa também do filme O jardim das folhas sagradas, de Pola Ribeiro.

2006 – Lázaro Ramos protagoniza a novela Cobras e Lagartos, na rede Globo, gerando uma discussão nacional sobre a participação de atores negros na teledramaturgia.

2006 – O II Fórum de Performance Negra acontece no Teatro Vila.

2006 – Jussara Matias recebe o Prêmio Brasken de atriz coadjuvante por seu trabalho em A casa dos espectros, do CAN.

2006 – Mestre Haroldo e os Meninos é encenada por Gideon Rosa, José Carlos Ngão e Igor Epifânio, em Salvador. O espetáculo, que abordou o racismo, viajou por quatro estados brasileiros.

2007 – Estreia o filme Ó pai, ó! e a Rede Globo contrata o Bando para fazer uma série baseada na Trilogia do Pelô. Chica Carelli dirige o primeiro espetáculo infanto-juvenil do Bando: Áfricas, que dá a Érico Brás o Prêmio Brasken de coadjuvante.

2007 – A minissérie da Globo Amazonia: de Galvez a Chico Mendes conta com a participação do ator baiano Val Perré, que já vinha de uma trajetória de teatro, cinema e televisão.

2007 – Um grupo de atores se une para formar a Cia de Teatro Gente da Bahia, coordenada pelo diretor Luís Bandeira.

2007 – Ângelo Flavio apresenta O Dia 14, no Teatro Gregório de Matos, com os jovens atores do CAN. A peça questiona a situação do negro após a abolição da escravatura. O grupo recebe o Prêmio Brasken de Teatro, categoria Revelação.

2008 – Estreia a primeira temporada da série Ó pai, ó!

2008 – III Fórum de Performance Negra, mais uma vez, no Vila. São cadastrados 40 grupos baianos de teatro e dança negros.

2008 – Estreia Policarpo Quaresma, baseado na obra de Lima Barreto, com Hilton Cobra e Nélia Carvalho. A peça, dirigida por Luiz Marfuz, é apresentada na Sala do Coro do TCA.

2008 – A comédia O Otário que Sonhava Acordado, de Alan Miranda, permanece em cartaz no Teatro do SESI, Salvador, com participação do ator Luiz Pepeu.

2009 – Segunda temporada da série Ó pai, ó!

2009 – O Coletivo de Produtores do Subúrbio, no Teatro de Plataforma, promove o I Festival de Teatro do Subúrbio, que apresenta grupos, em sua maioria, negros. O Bando mostra Cabaré da Rrrrraça.

2009 – A Cia de Teatro Nata é contemplada no Edital Manoel Lopes Pontes com o espetáculo Shirê Obá – A festa do Rei, realizando temporada em Salvador, no Teatro Vila Velha.

2010 – A Cia de Teatro Nata é contemplada com o I Prêmio Nacional de Expressões Afrobrasileiras da Fundação Palmares/Petrobras com o espetáculo Ogum, Deus e Homem.

2010 – II Festival de Teatro do Subúrbio.

2010 – O Prêmio Fapex de Teatro premia os textos Sobre os Palhaços na Varanda, de Diego Nunes Pinheiro, e Namíbia não, de Audri Anunciação.

2010 – O Bando de Teatro Olodum estreia Bença, espetáculo instalação, tributo ao tempo e aos mais velhos. O espetáculo é fruto do “Projeto Manutenção do Bando”, vencedor do edital do Petrobras Cultural.

* Coordenador do Bando de Teatro Olodum.