quinta-feira, 14 de julho de 2011

Cabaré da Rrrrraça em curta temporada de inverno

Cabaré da Rrrrraça em curta temporada de inverno

 O Bando de Teatro Olodum volta em cartaz, no Teatro Vila Velha, nos meses de julho e agosto, com um dos seus maiores sucessos, Cabaré da Rrrrraça.

O espetáculo Cabaré da Rrrrraça. um espetáculo que discute a questão racial com inteligência, humor, musica e dança. Dirigida por Márcio Meirelles, a peça levanta discussões bem humoradas sobre negritude, racismo e a participação do negro no mercado de consumo, por meio de personagens que já caíram no gosto popular, como o “Patrocinado”, a cantora “Flávia Karine” e o “Super Negão”.

Espetáculo contundente
 “O Cabaré surgiu em um momento de crise. O elenco estava cansado de ser mal interpretado, de ouvir coisas negativas e, principalmente, com a falta de dinheiro e de apoio. Conversamos muito e então surgiu a vontade de fazer algo diferente do que vínhamos fazendo”, conta Chica Carelli, co-diretora do espetáculo. A mudança se fez necessária e de certa forma radical. Ao invés de colocar no palco o povo pobre e sofrido do Pelourinho ou de outra periferia da cidade, o Bando queria continuar debatendo o racismo, mas por outro viés. “Marcio Meirelles queria falar do negro como consumidor e objeto de consumo através de personagens que mostram o negro que anda arrumado, sai nas capas das revistas, o negro fashion”, explica Chica.

Inspirados pelo surgimento na revista Raça Brasil, a primeira do mercado editorial brasileiro voltado para a população afrodescendente, o Bando criou um divertido, mas contundente espetáculo, que versa sobre os diversos dilemas do negro na atualidade. Desde a estréia, em 1997, a peça continua despertando interesse e discussões por onde é apresentada. Diversas cidades brasileiras, além de Portugal e Angola, já receberam a visita do Cabaré.

Outro destaque do espetáculo são os figurinos especiais usados pelos personagens e músicos em cena. Eles são assinados por um grande time de estilistas baianos.
Bando de Teatro Olodum - História
Há 20 anos, nascia em Salvador uma das mais poderosas propostas de ação afirmativa na área cultural. Um grupo de teatro formado por um elenco exclusivamente negro, encenando espetáculos cujo tema principal seria o negro dentro da sociedade brasileira. A certeza da força daquela escolha e da verdade que levavam para o palco fez com que diretores e atores enfrentassem a resistência de uma sociedade nada aberta para discutir temas como a desigualdade racial, o racismo e as práticas preconceituosas cotidianas camufladas pela suposta ‘democracia racial’. Assim nasceu o Bando de Teatro Olodum, a mais consolidada companhia teatral do atual cenário baiano. Uma das poucas a manter um corpo estável, com elenco, diretores e técnicos e a desenvolver uma linguagem própria e contemporânea, fruto da experiência, do trabalho em grupo e de uma definição clara da função desempenhada pela companhia.

“Não há como desassociar o Bando das preocupações políticas e sociais. E esta é uma aposta que não é fácil”, diz o diretor musical da companhia, Jarbas Bittencourt, responsável pelo desenvolvimento dos atores no canto e no ritmo, fortemente percursivo, mas influenciado por outros gêneros. “A maturidade do elenco torna possível montarmos espetáculos nos quais os atores cantam, dançam e interpretam com qualidade e profissionalismo”, ressalta Jarbas

O Bando já produziu cerca de 20 espetáculos de teatro - além de atuações no cinema e na TV - e ganhou expressão nacional. Vencedor do Prêmio Braskem de melhor espetáculo, Sonho de uma noite de verão (2006) está entre as produções recentes de destaque, assim como o primeiro espetáculo infanto-juvenil do grupo: Áfricas (2007). Merecem menções também Ó paí, ó!, que se tornou filme de longa-metragem e série televisiva, e Cabaré da RRRRRaça (1997) - o maior sucesso do grupo nos palcos.


Serviço
O que: Cabaré da RRRRRaça
Quando: (julho) Dias 22, 23, 24 e 29, 30 e 31 de julho – 20h (sextas, sábados e domingos)
(agosto) 05, 06, 07 e 12, 13 e 14 – 20h
Onde: Sala Principal Teatro Vila Velha - Av. Sete de Setembro, Passeio Público s/n, Centro.
Ingressos: sextas: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,0 (meia)
Sábados e domingos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia)


Um comentário:

Beija Flor - Thaís disse...

Que bom que voltou, dessa vez eu vou!!! Parabéns ao BANDO!