Com personalidade o Bando leva ao palco o seu maior sucesso o Cabaré da Raça, que em 13 anos emociona, impressiona e conta com a participação de artistas que em 20 anos acompanham o Bando. No ultimo dia 22 de fevereiro o Bando contou com a participação do cantor Tatau.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Depoimento André Santana -É preciso falar do racismo?
Em 13 anos o espetáculo Cabaré da Raça despertou pensamentos, provocou e encantou. No dia 09 de fevereiro de 2011 foi proposto um encontro com pessoas que acompanham o Bando e suas produções para uma conversa tão interativa quanto o próprio espetáculo Cabaré da Raça propõe; Vilma reis, Samuel Vida, André Santana, Lindinalva Barbosa são peças desse quebra cabeça no cenário racial. O Bando retoma suas atividades com a função de discutir e analisar o que mudou em 13 anos e conta com o apoio desses parceiros. Desse primeiro encontro ficam as perguntas: Ainda é preciso falar de racismo? O racismo realmente existe? O que é ser negro no Brasil? Todas essas perguntas podem ser discutidas no CABARÉ DA RAÇA.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Depoimento de Vilma Reis sobre o Cabaré da Rrrrraça.
Em 13 anos o espetáculo Cabaré da Raça despertou pensamentos, provocou e encantou. No dia 09 de fevereiro de 2011 foi proposto um encontro com pessoas que acompanham o Bando e suas produções para uma conversa tão interativa quanto o próprio espetáculo Cabaré da Raça propõe; Vilma reis, Samuel Vida, André Santana, Lindinalva Barbosa são peças desse quebra cabeça no cenário racial.
O Bando retoma suas atividades com a função de discutir e analisar o que mudou em 13 anos e conta com o apoio desses parceiros. Desse primeiro encontro ficam as perguntas: Ainda é preciso falar de racismo? O racismo realmente existe? O que é ser negro no Brasil? Todas essas perguntas podem ser discutidas no CABARÉ DA RAÇA.
Márcio Meirelles: Entre o palco e a política
Márcio Meirelles, criador artístico, homem de teatro, tem nos últimos anos desempenhado o cargo de Secretário da Cultura do Estado da Bahia. Encenou "Bença", o mais recente espectáculo do Bando de Teatro Olodum. O palco, a política, condições conflituantes? A esta e outras questões, suscitadas por cenaberta, respondeu Márcio Meirelles, via e-mail.
Durante o seu mandato enquanto Secretário da Cultura da Bahia, quais foram as prioridades e os principais problemas que enfrentou?
Primeiro, reconhecer que a Cultura é um direito de todos e que cada cidadão é um produtor de cultura e tem que ter acesso aos meios de produção e aos bens culturais produzidos, ao seu patrimônio e à sua memória. E, se é um direito básico do cidadão, é um dever do Estado cuidar para que todos gozem desse direito. Depois e por isso, descentralizar, democratizar e institucionalizar as políticas culturais. Descentralizar setorialmente. Estendendo os programas da Secretaria a um espectro mais amplo de ações da sociedade. Expandindo para outras áreas, além das linguagens artísticas, como por exemplo a moda, o design, a gastronomia, a cultura digital, as culturas identitárias dos povos indígenas, quilombolas, ciganos, para as culturas populares e sua produção, para as festas.
Também descentralizar territorialmente. A Bahia é maior que a França, temos 417 municípios, agrupados em 26 territórios de identidade. Entendemos que não seria possível trabalhar para o Estado inteiro se não trabalhássemos em rede, se não trabalhássemos com as prefeituras. Então, desde o início do mandato, temos promovido encontros, oficinas de qualificação dos gestores municipais de cultura. Eles criaram um fórum, que se transformou em associação. Estão sempre se mobilizando e articulando informações e ações.
Temos também uma rede de 26 representantes territoriais da Secretaria. São nossos braços. São responsáveis por acompanhar as nossas políticas e ações em todos os territórios.
Por fim, institucionalizar essas políticas. Elaboramos um projeto de Lei Orgânica da Cultura que vai consolidar boa parte delas definindo o que é Cultura, que atividades sociais se enquadram no escopo das atividades da Secretaria, e como o Estado deve atuar nesse setor. Cria o Sistema Estadual de Cultura, e outros marcos importantes para tirar as atividades culturais da informalidade. Reconhece também a cultura como eixo de desenvolvimento e geração de economia sustentável local. Este projeto de lei foi construído a partir de várias consultas públicas, inclusive em duas Conferências Estaduais – em cada uma mobilizamos em torno de 40 mil pessoas para discutir prioridades e diretrizes que resultaram na Lei e são base para o Plano Estadual de Cultura.
Que resultados conseguiu realmente?
Os resultados mesmo virão em médio prazo, porque trabalhamos nas bases, nos conceitos, na criação de infraestrutura.
De imediato posso dizer que resultou num aumento qualitativo e quantitativo de propostas, vindas de todos os territórios e, agora, fazendo o balanço de quatro anos, fizemos mapas onde pode-se ver bem distribuídos os novos 150 pontos de cultura, podemos reconhecer, em sistema, as mais de 200 unidades museais; podemos constatar que, com as 150 bibliotecas municipais que implantamos, zeramos o número de municípios sem bibliotecas; podemos ver que contemplamos projetos propostos por todos os territórios e apoiamos a circulação de projetos em todos também.
Podemos dizer que, este ano, tivemos em Salvador mais de 60 estreias de novas peças de teatro, o que é um recorde. Que a música baiana agora é reconhecida em sua pluralidade e o setor tem se organizado mais, participando de feiras internacionais e promovendo encontros e fóruns que levam em conta a nossa inserção no mercado nacional e internacional. Temos agora quatro festivais internacionais de artes cênicas por ano, dois de dança e dois de teatro. E em torno de mais de dez festivais, encontros e mostras anuais em vários municípios. O que promove uma troca fantástica entre os produtores do interior e da capital.
Triplicamos o número de visitantes nos museus, aumentando suas área expositivas e horários de funcionamento, além de um programa intenso de exposições contemporâneas e de acervos, acompanhadas de programas de visitação e educativos. Temos uma coleção de 63 peças de Rodin, cedidas em comodato pela França durante três anos.
Quanto ao intercâmbio internacional e, em particular, ao intercâmbio na lusofonia, que sempre defendeu, o que é que ficou por fazer e, eventualmente, guardaria para um segundo mandato?
Criamos mecanismos de apoio a residências e intercâmbios através de editais. Isso foi uma coisa genérica, para artistas locais viajarem ou virem artistas de qualquer país. Quanto a programa específico para a CPLP, estivemos na coordenação de um concurso de documentários para as TVs públicas, o Doc TV CPLP, um programa nacional.
Agora assinamos esse termo de cooperação com a Cena Lusófona e uma próxima gestão poderá trabalhar melhor para a promoção de atividades da lusofonia nas artes cênicas e poderemos avançar para outras áreas.
Toda a sua vida foi a de um criador artístico, um fazedor teatral, envolvido nos problemas relativos à afirmação da arte e do teatro nos diversos contextos sociais e políticos do Brasil. Durante os últimos anos usou um outro boné, o da política, o que é, aparentemente, contraditório. Como resolveu essa contradição? Essa dupla condição foi conflituante? Acha que terminou a sua missão desse lado e tem vontade de regressar? O facto de ter assinado o último espectáculo do Bando, "Bença" (aliás, belíssimo), é uma espécie de resposta?
É mais uma espécie de questão. Creio que os espetáculos sempre são perguntas sem respostas. E fazer essas questões, instigar, é o meu ofício. Não há contradição alguma entre o cargo que ocupo agora e ser artista, no caso encenador. O que faço no teatro? Transformo um discurso em ação, através de uma equipe de colaboradores, para que esta ação, de alguma forma, transforme a sociedade. É o que faço como secretário de Cultura.
Como fazedor teatral, tive que virar gestor, porque entendi que a melhor maneira de atuar politicamente com meu discurso cênico, seria através de um grupo, razoavelmente fixo, de artistas colaboradores. Sempre fiz teatro de grupo, mesmo quando dirigi elencos. Depois um grupo pede uma casa, e coordenei a gestão de o centro cultural A Fábrica, nos anos 80, e, a partir de 94 até 2006, o Teatro Vila Velha. Quando você é gestor de um grupo e de um teatro, você desenvolve políticas públicas de atuação, portanto questiona as políticas do Estado, interage com elas e deve interferir em suas formulações e execuções. Portanto do lugar de artista, produtor e gestor cultural sempre fiz e discuti políticas públicas para a cultura.
Quando o governador Jaques Wagner me convidou para assumir o cargo, não tinha como não aceitar. Se esse foi o meu discurso o tempo inteiro e alguém, em quem confio, me chama para participar de um programa político, no qual concordo, para efetivar e tornar ação esse discurso e com isso promover o desenvolvimento da Bahia, tinha que aceitar e dar o máximo de mim para tornar esse programa vitorioso. Não estou satisfeito, porque o passivo era muito grande e a mudança proposta muito radical e ainda há muito por fazer. Mas tenho a sensação de dever cumprido. Demos alguns passos, outros são necessários, mas os que demos foram firmes e definiram caminhos que a sociedade está se apropriando e vai poder trilhar, cobrando do Estado que faça sua parte.
Quanto a Bença, mesmo com todas as tarefas, eu não podia deixar de dirigir o espetáculo comemorativo dos 20 anos do Bando de Teatro Olodum. Fui um dos fundadores do grupo e com ele vivi muitas coisas. Era preciso participar desse novo ciclo. Foi o que fizemos, inauguramos um novo ciclo do grupo com esse espetáculo. Agora, virão mais 20 ou sei lá quantos...
O que falta ao teatro baiano, na sua opinião, para se afirmar e desenvolver fora de portas?
O teatro, no século XXI, está passando por um momento complicado. É o século da família das ferramentas digitais e virtuais. Século das comunidades. Do tempo real e espaço virtual. É um século que redefiniu muitas coisas a partir dessa tecnologia. E dentre essas, questões básicas para o teatro: a presença virtual, a reprodutibilidade e difusão dos discursos, as formas narrativas. Ao contrário do surgimento do cinema e da televisão que criaram novos suportes para a linguagem teatral e só a partir daí foi desenvolvendo linguagens próprias, as novas tecnologias vieram já com sua própria sintaxe. É preciso que o teatro dialogue com esse novo tempo, esse novo público, esses novos meios.
Na Bahia não é diferente. Ficamos muito tempo isolados do mundo, trocando muito pouco. Não tínhamos um festival de teatro internacional nem nacional, por exemplo. Circulamos muito pouco e só poucos de nós. Por outro lado vivemos uma política perversa que tornou a produção cultural dependente do Estado ou de patrocinadores. Nos importamos pouco com o público. E não no sentido de atender o que se quer ver, mas no de propor coisas que precisam ser vistas. Se, por um lado, 90% das peças montadas aqui são de autores locais, nosso isolamento do mundo só há pouco tempo começou a ser quebrado, trazendo oxigênio para a cena local. Nosso universo provinciano é muito forte. O lado bom é que temos muito material simbólico para trabalhar, o ruim é que achamos que nos bastamos, alimentando “estrelas” e “gênios” locais que não resistem a um sopro maior de novidade. E que ignora o tempo atual que passa célere transformando tudo.
O teatro é um testemunho de nosso tempo presente. E o tempo agora é real, se o teatro não se apropriar disso e fizer seu discurso para o público do século XXI, vamos morrer sonhando com Moscou, em nosso jardim de cerejeiras, não entendendo porque as platéias estão vazias, culpando o Estado por isso ou o próprio público por não ter formação suficiente para ficar mais de duas horas vendo Tchékhov. Em outras palavras, o teatro baiano tem que sair de sua redoma e buscar e formar seu público. É preciso investir em educação, sim. Mas isso é uma tarefa de todos. Não só do Estado.
entrevista de António Augusto Barros
Durante o seu mandato enquanto Secretário da Cultura da Bahia, quais foram as prioridades e os principais problemas que enfrentou?
Primeiro, reconhecer que a Cultura é um direito de todos e que cada cidadão é um produtor de cultura e tem que ter acesso aos meios de produção e aos bens culturais produzidos, ao seu patrimônio e à sua memória. E, se é um direito básico do cidadão, é um dever do Estado cuidar para que todos gozem desse direito. Depois e por isso, descentralizar, democratizar e institucionalizar as políticas culturais. Descentralizar setorialmente. Estendendo os programas da Secretaria a um espectro mais amplo de ações da sociedade. Expandindo para outras áreas, além das linguagens artísticas, como por exemplo a moda, o design, a gastronomia, a cultura digital, as culturas identitárias dos povos indígenas, quilombolas, ciganos, para as culturas populares e sua produção, para as festas.
Também descentralizar territorialmente. A Bahia é maior que a França, temos 417 municípios, agrupados em 26 territórios de identidade. Entendemos que não seria possível trabalhar para o Estado inteiro se não trabalhássemos em rede, se não trabalhássemos com as prefeituras. Então, desde o início do mandato, temos promovido encontros, oficinas de qualificação dos gestores municipais de cultura. Eles criaram um fórum, que se transformou em associação. Estão sempre se mobilizando e articulando informações e ações.
Temos também uma rede de 26 representantes territoriais da Secretaria. São nossos braços. São responsáveis por acompanhar as nossas políticas e ações em todos os territórios.
Por fim, institucionalizar essas políticas. Elaboramos um projeto de Lei Orgânica da Cultura que vai consolidar boa parte delas definindo o que é Cultura, que atividades sociais se enquadram no escopo das atividades da Secretaria, e como o Estado deve atuar nesse setor. Cria o Sistema Estadual de Cultura, e outros marcos importantes para tirar as atividades culturais da informalidade. Reconhece também a cultura como eixo de desenvolvimento e geração de economia sustentável local. Este projeto de lei foi construído a partir de várias consultas públicas, inclusive em duas Conferências Estaduais – em cada uma mobilizamos em torno de 40 mil pessoas para discutir prioridades e diretrizes que resultaram na Lei e são base para o Plano Estadual de Cultura.
Que resultados conseguiu realmente?
Os resultados mesmo virão em médio prazo, porque trabalhamos nas bases, nos conceitos, na criação de infraestrutura.
De imediato posso dizer que resultou num aumento qualitativo e quantitativo de propostas, vindas de todos os territórios e, agora, fazendo o balanço de quatro anos, fizemos mapas onde pode-se ver bem distribuídos os novos 150 pontos de cultura, podemos reconhecer, em sistema, as mais de 200 unidades museais; podemos constatar que, com as 150 bibliotecas municipais que implantamos, zeramos o número de municípios sem bibliotecas; podemos ver que contemplamos projetos propostos por todos os territórios e apoiamos a circulação de projetos em todos também.
Podemos dizer que, este ano, tivemos em Salvador mais de 60 estreias de novas peças de teatro, o que é um recorde. Que a música baiana agora é reconhecida em sua pluralidade e o setor tem se organizado mais, participando de feiras internacionais e promovendo encontros e fóruns que levam em conta a nossa inserção no mercado nacional e internacional. Temos agora quatro festivais internacionais de artes cênicas por ano, dois de dança e dois de teatro. E em torno de mais de dez festivais, encontros e mostras anuais em vários municípios. O que promove uma troca fantástica entre os produtores do interior e da capital.
Triplicamos o número de visitantes nos museus, aumentando suas área expositivas e horários de funcionamento, além de um programa intenso de exposições contemporâneas e de acervos, acompanhadas de programas de visitação e educativos. Temos uma coleção de 63 peças de Rodin, cedidas em comodato pela França durante três anos.
Quanto ao intercâmbio internacional e, em particular, ao intercâmbio na lusofonia, que sempre defendeu, o que é que ficou por fazer e, eventualmente, guardaria para um segundo mandato?
Criamos mecanismos de apoio a residências e intercâmbios através de editais. Isso foi uma coisa genérica, para artistas locais viajarem ou virem artistas de qualquer país. Quanto a programa específico para a CPLP, estivemos na coordenação de um concurso de documentários para as TVs públicas, o Doc TV CPLP, um programa nacional.
Agora assinamos esse termo de cooperação com a Cena Lusófona e uma próxima gestão poderá trabalhar melhor para a promoção de atividades da lusofonia nas artes cênicas e poderemos avançar para outras áreas.
Toda a sua vida foi a de um criador artístico, um fazedor teatral, envolvido nos problemas relativos à afirmação da arte e do teatro nos diversos contextos sociais e políticos do Brasil. Durante os últimos anos usou um outro boné, o da política, o que é, aparentemente, contraditório. Como resolveu essa contradição? Essa dupla condição foi conflituante? Acha que terminou a sua missão desse lado e tem vontade de regressar? O facto de ter assinado o último espectáculo do Bando, "Bença" (aliás, belíssimo), é uma espécie de resposta?
É mais uma espécie de questão. Creio que os espetáculos sempre são perguntas sem respostas. E fazer essas questões, instigar, é o meu ofício. Não há contradição alguma entre o cargo que ocupo agora e ser artista, no caso encenador. O que faço no teatro? Transformo um discurso em ação, através de uma equipe de colaboradores, para que esta ação, de alguma forma, transforme a sociedade. É o que faço como secretário de Cultura.
Como fazedor teatral, tive que virar gestor, porque entendi que a melhor maneira de atuar politicamente com meu discurso cênico, seria através de um grupo, razoavelmente fixo, de artistas colaboradores. Sempre fiz teatro de grupo, mesmo quando dirigi elencos. Depois um grupo pede uma casa, e coordenei a gestão de o centro cultural A Fábrica, nos anos 80, e, a partir de 94 até 2006, o Teatro Vila Velha. Quando você é gestor de um grupo e de um teatro, você desenvolve políticas públicas de atuação, portanto questiona as políticas do Estado, interage com elas e deve interferir em suas formulações e execuções. Portanto do lugar de artista, produtor e gestor cultural sempre fiz e discuti políticas públicas para a cultura.
Quando o governador Jaques Wagner me convidou para assumir o cargo, não tinha como não aceitar. Se esse foi o meu discurso o tempo inteiro e alguém, em quem confio, me chama para participar de um programa político, no qual concordo, para efetivar e tornar ação esse discurso e com isso promover o desenvolvimento da Bahia, tinha que aceitar e dar o máximo de mim para tornar esse programa vitorioso. Não estou satisfeito, porque o passivo era muito grande e a mudança proposta muito radical e ainda há muito por fazer. Mas tenho a sensação de dever cumprido. Demos alguns passos, outros são necessários, mas os que demos foram firmes e definiram caminhos que a sociedade está se apropriando e vai poder trilhar, cobrando do Estado que faça sua parte.
Quanto a Bença, mesmo com todas as tarefas, eu não podia deixar de dirigir o espetáculo comemorativo dos 20 anos do Bando de Teatro Olodum. Fui um dos fundadores do grupo e com ele vivi muitas coisas. Era preciso participar desse novo ciclo. Foi o que fizemos, inauguramos um novo ciclo do grupo com esse espetáculo. Agora, virão mais 20 ou sei lá quantos...
O que falta ao teatro baiano, na sua opinião, para se afirmar e desenvolver fora de portas?
O teatro, no século XXI, está passando por um momento complicado. É o século da família das ferramentas digitais e virtuais. Século das comunidades. Do tempo real e espaço virtual. É um século que redefiniu muitas coisas a partir dessa tecnologia. E dentre essas, questões básicas para o teatro: a presença virtual, a reprodutibilidade e difusão dos discursos, as formas narrativas. Ao contrário do surgimento do cinema e da televisão que criaram novos suportes para a linguagem teatral e só a partir daí foi desenvolvendo linguagens próprias, as novas tecnologias vieram já com sua própria sintaxe. É preciso que o teatro dialogue com esse novo tempo, esse novo público, esses novos meios.
Na Bahia não é diferente. Ficamos muito tempo isolados do mundo, trocando muito pouco. Não tínhamos um festival de teatro internacional nem nacional, por exemplo. Circulamos muito pouco e só poucos de nós. Por outro lado vivemos uma política perversa que tornou a produção cultural dependente do Estado ou de patrocinadores. Nos importamos pouco com o público. E não no sentido de atender o que se quer ver, mas no de propor coisas que precisam ser vistas. Se, por um lado, 90% das peças montadas aqui são de autores locais, nosso isolamento do mundo só há pouco tempo começou a ser quebrado, trazendo oxigênio para a cena local. Nosso universo provinciano é muito forte. O lado bom é que temos muito material simbólico para trabalhar, o ruim é que achamos que nos bastamos, alimentando “estrelas” e “gênios” locais que não resistem a um sopro maior de novidade. E que ignora o tempo atual que passa célere transformando tudo.
O teatro é um testemunho de nosso tempo presente. E o tempo agora é real, se o teatro não se apropriar disso e fizer seu discurso para o público do século XXI, vamos morrer sonhando com Moscou, em nosso jardim de cerejeiras, não entendendo porque as platéias estão vazias, culpando o Estado por isso ou o próprio público por não ter formação suficiente para ficar mais de duas horas vendo Tchékhov. Em outras palavras, o teatro baiano tem que sair de sua redoma e buscar e formar seu público. É preciso investir em educação, sim. Mas isso é uma tarefa de todos. Não só do Estado.
entrevista de António Augusto Barros
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Márcio Meirelles e Chica Carelli conversam com José Wilker
por Anna Ramalho
A série de TV Palco e Plateia realizou no sábado, 12, a gravação do programa que tem como destaque os diretores do Bando de Teatro Olodum: Marcio Meirelles e Chica Carelli. A série apresentará um panorama das artes cênicas brasileiras, mostrando sua manifestação em vários estados e abordará o universo de grandes diretores teatrais brasileiros e do teatro em si.
Com apresentação de José Wilker, foi dividida em 13 programas e será exibida a partir de 4 de abril no Canal Brasil. As gravações estão sendo realizadas em diversas cidades, de forma itinerante, para acompanhar o deslocamento da arte por diversas plateias.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
FAÇA PARTE DESSE PALCO E PLATEIA!
Apresentação: José Wilker
A série PALCO E PLATEIA, com 13 programas, buscará apresentar um panorama das artes cênicas brasileiras, mostrando sua manifestação em vários estados brasileiros.
A programação está sendo produzida pela Girassol Comunicações em parceria com a KN Vídeo, e conta com patrocínio da Oi e apoio cultural do Oi Futuro.
Com veiculação no Canal Brasil e apresentação do ator José Wilker, a série abordará o universo de grandes diretores teatrais brasileiros, assim como do teatro em si. O programa será itinerante, acompanhando o deslocamento da arte por diversas platéias pelo Brasil. A estréia será no dia 04 de abril.
Jorge Nassaralla e Pedro Flores da Cunha assinam a direção do projeto.
Dentre os diretores de grupos de teatro selecionados, estão:
- Amir Haddad – Rio de Janeiro
- Charles Möeller – Rio de Janeiro
- Antunes Filho – São Paulo
- Filipe Hirsh (Sutil Cia. de Teatro) – Paraná
- Aderbal Freire – Rio de Janeiro
- Gabriel Villela – São Paulo
- Eduardo Moreira (Grupo Galpão) – Belo Horizonte
- Bia Lessa – Rio de Janeiro
- Guti Fraga – Rio de Janeiro
- Rodolfo García Vazquez – São Paulo
- Hamilton Vaz Pereira – Rio de Janeiro
- Marcio Meirelles e Chica Carelli
(Bando de Teatro Olodum) – Salvador
- Zé Celso Martinez – São Paulo
A série PALCO E PLATEIA, com 13 programas, buscará apresentar um panorama das artes cênicas brasileiras, mostrando sua manifestação em vários estados brasileiros.
A programação está sendo produzida pela Girassol Comunicações em parceria com a KN Vídeo, e conta com patrocínio da Oi e apoio cultural do Oi Futuro.
Com veiculação no Canal Brasil e apresentação do ator José Wilker, a série abordará o universo de grandes diretores teatrais brasileiros, assim como do teatro em si. O programa será itinerante, acompanhando o deslocamento da arte por diversas platéias pelo Brasil. A estréia será no dia 04 de abril.
Jorge Nassaralla e Pedro Flores da Cunha assinam a direção do projeto.
Dentre os diretores de grupos de teatro selecionados, estão:
- Amir Haddad – Rio de Janeiro
- Charles Möeller – Rio de Janeiro
- Antunes Filho – São Paulo
- Filipe Hirsh (Sutil Cia. de Teatro) – Paraná
- Aderbal Freire – Rio de Janeiro
- Gabriel Villela – São Paulo
- Eduardo Moreira (Grupo Galpão) – Belo Horizonte
- Bia Lessa – Rio de Janeiro
- Guti Fraga – Rio de Janeiro
- Rodolfo García Vazquez – São Paulo
- Hamilton Vaz Pereira – Rio de Janeiro
- Marcio Meirelles e Chica Carelli
(Bando de Teatro Olodum) – Salvador
- Zé Celso Martinez – São Paulo
De volta...
O Bando depois de um mês afastado de suas atividades volta com força total... Traz no mês de fevereiro ao Amostrão Vila Verão seus dois espetáculos: “Cabaré da RRRRRaça” que expõe as mais diversas manifestações do racismo e da discriminação contra os negros no Brasil, desde as sutis até as mais ultrajantes, através de um discurso inflamado com bom humor e doses de ousadia e o seu primeiro espetáculo infantil-juvenil “Áfricas” que traz à cena o continente africano, através da sua história, seu povo, seus mitos e religiosidade.
Palco Principal do Teatro Vila Velha
Cabaré da RRRRRaça- 22 / 23 - ter /qua 20h
Áfricas- 26 / 27 - sáb/ dom 16h
Jardim das Folhas Sagradas
Amigos,
O filme Jardim das Folhas Sagradas do cineasta Pola Ribeiro, que tem a participação do Bando deTeatro Olodum, foi selecionado para participar do FESPACO o maior festival de cinema do continente africano, que acontecerá de 26 de fevereiro a 05 de março, na cidade Ouagadougou em Burkina Faso no oeste da África.
Informações: http://www.fespaco.bf
Vamos nessa torcida forte !!!
O filme Jardim das Folhas Sagradas do cineasta Pola Ribeiro, que tem a participação do Bando deTeatro Olodum, foi selecionado para participar do FESPACO o maior festival de cinema do continente africano, que acontecerá de 26 de fevereiro a 05 de março, na cidade Ouagadougou em Burkina Faso no oeste da África.
Informações: http://www.fespaco.bf
Vamos nessa torcida forte !!!
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Ubirajara Fidalgo: primeiro dramaturgo negro brasileiro
Jean Custo · Mossoró, RN
6/2/2011
Nos últimos anos muito se falou sobre companhias de teatro compostas por atores afro-brasileiros como o Bando de Teatro Olodum, da Bahia ou a Companhia dos Comuns, no Rio de Janeiro, só para citar duas, cujas montagens refletem os anseios da população negra no Brasil. Porém, um dos precursores desse movimento - iniciado ainda nos anos 40 com encenações de clássicos do teatro pelo TEN, Teatro Experimental do Negro, de Abdias do Nascimento - foi o dramaturgo, ator, diretor e produtor maranhense Ubirajara Fidalgo, morto no ano de 1986, no Rio de Janeiro. Criador do Teatro Profissional do Negro, o T.E.P.R.O.N, ainda nos anos 70, poucos anos apos aportar no Rio de Janeiro direto de São Luís do Maranhão. Ubirajara Fidalgo não só tornou-se o primeiro dramaturgo negro no Brasil como foi pioneiro em várias outras frentes; levou, pela primeira vez, o debate racial para os palcos com a participação do público e sua companhia, o TEPRON, iniciou o que hoje tornou-se o lema de instituições respeitadas como o grupo de teatro Nos do Morro; formou e empregou centenas de jovens atores de favelas e periferias. Com o T.E.P.R.O.N Ubirajara Fidalgo encenou uma série de textos autorais que sempre refletiam a problemática do racismo e do preconceito em todas as suas vertentes e através de vários gêneros; fosse em comédias, dramas e, até mesmo, em peças infantis como o musical OS GAZETEIROS, que ficou em cartaz durante os anos de 1982 a 1985 no Teatro Thereza Rachel. Foi lá também que ele encenou junto com o T.E.P.R.O.N outros dois grandes sucessos da época, o monologo DESFULGA (que significa literalmente o contrario de "fuga") e drama de Zé Baiano, o nordestino deslumbrado com a cidade grande em FALA PRA ELES, ELISABETE. Ativista do Movimento Negro, autor, ator, produtor e diretor da companhia, Fidalgo desempenhava todas essas funções com maestria, chegando, inclusive, a apresentar um quadro sobre moda, cultura e comportamento durante os anos de 1984 a 1986 no programa ELA com Edna Savaget, na Rede Bandirantes. Seu último trabalho em vida foi a montagem da peça TUTI no Teatro Calouste Gulbenkian, que abordava o racismo nas relações interpessoais através de um inusitado triângulo amoroso entre uma prostituta, um professor de história e uma judia aristocrata. No ano seguinte, em julho de 1986, viera a falecer, aos 37 anos, em decorrência de insuficiência renal. Todavia ainda deixou um acervo com obras inéditas e um livro inacabado que fazem parte do acervo da Associação Cultural e Teatral Ubirajara Fidalgo, administrada pela sua viúva, a produtora Alzira Fidalgo.
6/2/2011
Nos últimos anos muito se falou sobre companhias de teatro compostas por atores afro-brasileiros como o Bando de Teatro Olodum, da Bahia ou a Companhia dos Comuns, no Rio de Janeiro, só para citar duas, cujas montagens refletem os anseios da população negra no Brasil. Porém, um dos precursores desse movimento - iniciado ainda nos anos 40 com encenações de clássicos do teatro pelo TEN, Teatro Experimental do Negro, de Abdias do Nascimento - foi o dramaturgo, ator, diretor e produtor maranhense Ubirajara Fidalgo, morto no ano de 1986, no Rio de Janeiro. Criador do Teatro Profissional do Negro, o T.E.P.R.O.N, ainda nos anos 70, poucos anos apos aportar no Rio de Janeiro direto de São Luís do Maranhão. Ubirajara Fidalgo não só tornou-se o primeiro dramaturgo negro no Brasil como foi pioneiro em várias outras frentes; levou, pela primeira vez, o debate racial para os palcos com a participação do público e sua companhia, o TEPRON, iniciou o que hoje tornou-se o lema de instituições respeitadas como o grupo de teatro Nos do Morro; formou e empregou centenas de jovens atores de favelas e periferias. Com o T.E.P.R.O.N Ubirajara Fidalgo encenou uma série de textos autorais que sempre refletiam a problemática do racismo e do preconceito em todas as suas vertentes e através de vários gêneros; fosse em comédias, dramas e, até mesmo, em peças infantis como o musical OS GAZETEIROS, que ficou em cartaz durante os anos de 1982 a 1985 no Teatro Thereza Rachel. Foi lá também que ele encenou junto com o T.E.P.R.O.N outros dois grandes sucessos da época, o monologo DESFULGA (que significa literalmente o contrario de "fuga") e drama de Zé Baiano, o nordestino deslumbrado com a cidade grande em FALA PRA ELES, ELISABETE. Ativista do Movimento Negro, autor, ator, produtor e diretor da companhia, Fidalgo desempenhava todas essas funções com maestria, chegando, inclusive, a apresentar um quadro sobre moda, cultura e comportamento durante os anos de 1984 a 1986 no programa ELA com Edna Savaget, na Rede Bandirantes. Seu último trabalho em vida foi a montagem da peça TUTI no Teatro Calouste Gulbenkian, que abordava o racismo nas relações interpessoais através de um inusitado triângulo amoroso entre uma prostituta, um professor de história e uma judia aristocrata. No ano seguinte, em julho de 1986, viera a falecer, aos 37 anos, em decorrência de insuficiência renal. Todavia ainda deixou um acervo com obras inéditas e um livro inacabado que fazem parte do acervo da Associação Cultural e Teatral Ubirajara Fidalgo, administrada pela sua viúva, a produtora Alzira Fidalgo.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Um dos maiores atores de sua geração, Lázaro Ramos lida com a polêmica na novela 'Insensato coração' Plantão | Publicada em 22/01/2011 às 09h34m Rodrigo Fonseca
dos maiores atores de sua geração, Lázaro Ramos lida com a
RO - Assumir o papel do Don Juan número um de uma novela das nove - posto no qual nunca se veem atores negros - colocou Luís Lázaro Sacramento Ramos no centro das atenções em torno de "Insensato coração", no ar desde segunda-feira. Coube a ele viver André Gurgel, um designer cheio da grana, de mulheres e de autoestima, que sofre do chamado "complexo de José Mayer": conquistar (e arrasar) corações é seu vício. Vitaminado pelo carisma de suas experiências anteriores na TV, o prestígio de Lázaro é grande, sendo originário de suas incursões pelo palco, a partir de suas primeiras peças ao lado do Bando de Teatro Olodum,
- Sabe "House"? Pois é, eu comecei a ver a série há uns dois meses e percebi que o Dr. House começa como um caso de ame-o ou deixe-o. Mas, aos poucos, vê-se quem ele é de verdade. Com o André, não é diferente - explica Lázaro. - Ele se mostra odioso agora, porque já tirou algumas máscaras. Mas dos 80 capítulos que o Gilberto Braga já escreveu, eu só gravei 25. Ainda tem máscara para tirar.
Paternidade a caminho
No Twitter, há telespectadoras que se rasgam pelos jogos de sedução interpretados pelo baiano de 32 anos na relação de André com beldades vividas por Camila Pitanga e Deborah Secco. Mas há muitas internautas que questionam a escolha de Lázaro como "pegador" de plantão, reclamando, sem muito tato, que lhe faltam encantos para tal empreitada. Entre os críticos de TV, há quem defenda que, na pele de André, Lázaro compôs um sedutor exemplar. Mas há quem deprecie os rasgos cômicos de sua interpretação, definindo-a com a palavrinha "canastrice", substantivo raras vezes associado ao astro. Mesmo sem ter lido o que foi tuitadoou publicado sobre sua atuação, Lázaro considera esse racha de impressões saudável.
- Acho natural que as pessoas estranhem, porque eu, assim como o público, ainda estou descobrindo o André. Na TV, eu procuro encarar arquétipos novos. O Foguinho de "Cobras & lagartos", por exemplo, era um anti-herói que ganhava a torcida da audiência. O Evilásio de "Duas caras" era um herói do povo, que queria viver sua paixão por uma branca e realizar ideais políticos. Já o André... André é um arquétipo tão novo que nem sei como explicá-lo. Sei que ele é mais marrento do que o Romário e isso causa estranheza quando associado a um ator como eu, que, na TV, vinha fazendo sempre tipos simpáticos - diz Lázaro, que, paralelamente às gravações da novela, está ensaiando a peça "Namíbia, não", na qual dirige os atores Aldri Anunciação e Flávio Bauraqui, numa montagem prevista para março no Teatro Castro Alves, em Salvador.
Lázaro, de grande força dramática, é um artista que consegue, com galhardia, realizar integração sem humilhação
Gilberto Braga, que escreve "Insensato coração" em parceria com Ricardo Linhares, criou André com o ator em mente:
- Lázaro é o melhor dos nossos atores negros, e o papel de André foi concebido para ele. Se o Lázaro não existisse, André seria branco.
Gilberto confiou a um mito da militância contra o racismo, o veterano Milton Gonçalves, a tarefa de interpretar o pai de Lázaro em "Insensato coração": o alcoólatra Gregório.
- Lázaro, de grande força dramática, é um artista que consegue, com galhardia, realizar integração sem humilhação - diz Milton.
Filho de um operador de máquinas (hoje aposentado) do polo petroquímico de Camaçari e de uma empregada doméstica, Lázaro evita discutir a repercussão de André a partir de parâmetros raciais. Mesmo abordando diversidade cultural no programa "Espelho", que chegará à sua sexta temporada no Canal Brasil, ele não levanta bandeira.
- Quando eu tinha 14 anos, queria fazer o curso de teatro gratuito da Escola Técnica Anísio Teixeira. Mas só podia entrar lá se fosse estudante. Lá só tinha dois cursos: Desenho Industrial, para o qual eu não levava jeito, ou Patologia. Fui técnico em patologia por um tempo, para sobreviver enquanto me profissionalizava no teatro. Saía de casa às 5h e viajava para São Francisco do Conde, onde trabalhava num hospital colhendo fezes, urina e sangue. Tirando sangue da veia dos outros, eu vi muito pai de família do interior da Bahia, daqueles tipos severos, chorar diante da agulha. Tinha que saber tratar bem deles. Ali, eu aprendi como lidar com as pessoas - lembra o ator, que espera para julho o nascimento de seu primeiro filho, fruto de sua união com a atriz Thaís Araújo.
Livro infantil recém-lançado
Segundo Lázaro, a rotina hospitalar o preparou para as nuanças da expectativa.
- Entendo quando algumas pessoas me olham apenas pelo rótulo do ator negro. Quem me vê é meu cliente. É alguém que paga ingresso para me ver ou que dá audiência às novelas de que participo. Ele tem direito à opinião que quiser, porque tudo o que eu faço passa por uma sensibilidade que não é a minha. Um dia, no Bando de Teatro Olodum, falando da questão racial, Márcio Meirelles (diretor e criador da trupe baiana) me disse: "Você tem que aceitar as complexidades. Você é ator, ator negro e negro ator. É tudo isso ao mesmo tempo."
Colegas de Olodum elogiam a perseverança de Lázaro.
- Ele chegou entre nós muito novo e evoluiu rápido, por ter muita disciplina - diz Chica Carelli, coordenadora do Bando de Teatro Olodum.
De todos as passagens de Lázaro pelos palcos, poucas tiveram a retumbância estética e midiática de "A máquina", dirigida por João Falcão a partir do texto homônimo Adriana Falcão.
- Quando peguei o texto de "A máquina", fiz a maluquice de confiar o personagem principal a quatro atores: Vladimir Brichta, Gustavo Falcão, Wagner Moura e Lázaro. E a peça só virou o que virou por conta do talento deles - lembra João Falcão. - No convívio, percebi o quanto o Lázaro tem o pé no chão. E fui descobrindo o estrondo que ele é atuando.
Cineastas exaltam a determinação de Lázaro, que estreou no veículo em "Jenipapo" (1995), de Monique Gardenberg.
- Lazinho acrescenta tudo a um filme: humor, seriedade, jogo, troca, tesão e verdade. - diz Monique.
- Incrível na comédia, Lázaro tem fartos recursos também para o drama, porque lê muito, escreve e dirige - continua Jorge Furtado, que filmou "O homem que copiava", "Meu tio matou um cara" e "Saneamento básico" com o ator.
Este ano, na telona, Lázaro será visto ainda em "Amanhã nunca mais", comédia de Tadeu Jungle, e na coprodução parte africana, parte portuguesa e parte brasileira "O grande Kilapy", do angolano Zézé Gamboa. Até dezembro, ele deve entrar no setde "O grande circo místico", o novo longa de Cacá Diegues.
- Ele fará o único personagem do filme que não está no poema de Jorge de Lima: uma espécie de MC do circo que junta as quatro gerações da família Knieps - explica Cacá. - Lázaro é um ator que sabe o que e por que está fazendo.
Some aos atributos televisivos, cinematográficos e teatrais de Lázaro uma incursão pela literatura, na seara infanto-juvenil. Chegou às livrarias esta semana, pela editora Uirapuru, o primeiro romance do ator: "A velha sentada".
- É um livro sobre o uso responsável da tecnologia. Como embaixador do Unicef há um ano e dois meses, era importante falar para crianças - diz Lázaro. - Acho que a minha marca é a inquietude, porque quero ser escutado.
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