Os acordes contemporâneos, eruditos e populares, dos violonistasMario Ulloa, Vladimir Bonfim e dos alunos da Escola de Música da Ufba. E a participação especial das cantoras Juliana Ribeiro Perfil Lotado e Marcia Short numa linda homenagem póstuma à atriz Auristela Sá. Imperdível.
sexta-feira, 22 de março de 2013
segunda-feira, 18 de março de 2013
PARA AURISTELA
É MUITO DIFÍCIL FALAR QUANDO ALGUÉM COMO AURISTELA SILENCIOU
O SEU SILÊNCIO AGORA DÓI MAIS DO QUE TUDO
ELA SEMPRE FOI SOM SEMPRE FOI PALAVRA
SEMPRE FOI DISCURSO COMO ATRIZ
ATRIZ POSSESSA
PELA CRIAÇÃO
CADA PERSONAGEM ERA SEU CORPO MENTE VOZ CORAÇÃO ESTÔMAGO
INTEIROS
TODO FIBRA TODO HISTÓRIA
CADA PERSONAGEM UM DISCURSO DE MULHER DE NEGRA
HUMANO HUMANO HUMANO HUMANO COMO SÓ OS HUMANOS PODEM SER
CADA NOVO PAPEL TANTAS PALAVRAS
MAIS QUE ATRIZ - AURISTELA ARTISTA FEZ COMO POUCOS O QUE SÓ
MUITO POUCOS CONSEGUEM FAZER
MARCOU QUEM OUVIU O SEU SOM E SUA FÚRIA PRA SEMPRE
NÓS PUDEMOS PARTICIPAR DISSO
NÓS SEU BANDO SEUS CÚMPLICES SEUS IRMÃOS
PUDEMOS VER OUVIR SENTIR APRENDER A FAZER A RESPEITAR SEUS
TEMPOS SUA VONTADE SUA DEFESA SEU ATAQUE SUA GINGA
PUDEMOS TANTAS VEZES DURANTE TANTO TEMPO CONSTRUIR JUNTOS O
MUNDO QUE A GENTE QUERIA QUE O MUNDO FOSSE
QUE ESSE TEMPO FOI POUCO
MUITO POUCO
AURISTELA NÃO PODIA TER SILENCIADO AINDA
FALAREMOS SEMPRE QUE ELA ESTÁ PRESENTE E ESTARÁ
MAS UMA ATRIZ É UM CORPO FÍSICO
É UM SOM
É UMA VONTADE
É UMA RESPOSTA
É MUITAS QUESTÕES
E ESSAS QUESTÕES É QUE VÃO FICAR
SEU CORPO
SEU SOM
SUA VONTADE
SUAS RESPOSTAS
VÃO FAZER FALTA
NÃO VAMOS CONHECER OS PERSONAGENS
QUE ELA DEIXOU DE FAZER
E FALAMOS SÓ DO VISÍVEL
PORQUE PERDEMOS DEMAIS
NÃO VAMOS FALAR DA PESSOA
DA BASE SEMENTE RAÍZ CONTEÚDO TRONCO GALHOS FOLHAS FLOR E
FRUTO
O SUSTENTO DA ATRIZ
ERA MAIOR DO QUE ELA
E SOBRE A PESSOA NÃO VAMOS FALAR
CADA UM DE NÓS IMAGINA UM DEPOIS UM ALÉM UM DEUS COM QUEM E
ONDE ELA ESTARÁ
MAS O FATO É QUE FICAMOS SEM ELA EM CENA
SUA CENA AGORA É OUTRA VASTA IMENSA IMENSURÁVEL IMPENSÁVEL
INDIZÍVEL SEM SOM
NOSSA MEMÓRIA MAIS LEVE
NOSSO DIA A DIA VAI COLOCAR AS COISAS EM SEUS LUGARES
MAS NUNCA MAIS FLÁVIA KARINE CARMEM BERNA ROSA
NUNCA MAIS AURISTELA
ESTRELA DE OURO NUNCA MAIS
MARCIO MEIRELLES
terça-feira, 12 de março de 2013
| O TEATRO VILA VELHA LAMENTA O FALECIMENTO DA ATRIZ AURISTELA SÁ |
|
Integrante do Bando de Teatro Olodum, a artista morreu às 4h da manhã desta terça-feira, no Hospital Jorge Valente. O enterro será no município de Alagoinhas, cidade natal de Auristela.
Auristela Gonçalves Sá Barreto, 44 anos, mais conhecida do grande público como Auristela Sá, estava em tratamento contra um câncer no pulmão, descoberto no ano passado. Inclusive, por causa do tratamento, não pôde atuar em “Dô”, última montagem do Bando de Teatro Olodum, que foi dedicado a ela.
“É lastimável. Ela era uma atriz de grande talento. Uma perda muito grande para todo teatro baiano. Ela era fundamental na estrutura organizacional do Bando, tanto como atriz quanto produtora”, diz Chica Carelli, coordenadora da companhia.
Intérprete de personagens memoráveis, ela atuou em peças como “Bença” (2010), “Áfricas” (2007), na remontagem de “Sonho de uma noite de verão” (2006), da obra de William Shakespeare, e fez muito sucesso na pele da cantora Flávia Karine, em Cabaré Rrrrraça (1997), e como a Carmem lavadeira de “Ó Pai Ó” (1992), tanto no teatro quanto no Cinema e na televisão.
“Auristela era uma luz no Bando de Teatro Olodum com sua vitalidade, sua sensualidade à flor da pele. Impagável a cena do Cabaré da Rrrrrraça em que ela dança com quatro atores o número musical O Super Negão cheia de despudor, tão apaixonada pelo palco. Essa luz se apaga e deixa um vazio enorme na companhia”, observa o jornalista e escritor Marcos Uzel, que em agosto do ano passado lançou pela Edufba o livro Guerreiras do Cabaré: a mulher negra no espetáculo do Bando de Teatro Olodum.
Emocionado, o cantor e compositor Jarbas Bittencourt se despediu da atriz em versos, numa letra de música que compôs para ela, assim diz a última estrofe e o refrão.
Onde é que deságua essa correnteza?
Onde é que essa vida ainda quer me levar?
Onde é que essa mágoa desata em beleza? Onde houver samba hoje eu quero é sambar!
Ah, Lagoinha, vou pra lá!
Ah, Lagoinha, vou pra lá! |
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
DÔ... É amanhã!!!
O comedimento da arte japonesa encontra a explosão da energia afro-baiana no Teatro Vila Velha a partir de amanhã, em Dô, às 20h.
Pela primeira vez, alguém que não pertence ao grupo dirige um espetáculo do Bando. A tarefa coube ao dançarino japonês Tadashi Endo, 65 anos, famoso por sua dedicação ao butô, uma espécie de dança-teatro japonesa surgida no Pós-Guerra.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
DÔ estreia sexta, pessoal.
Com estreia marcada para esta sexta-feira (30), o novo espetáculo do Bando de Teatro Olodum, "Dô", palavra japonesa que significa "movimento", é uma criação conjunta do Bando com o mestre do Butoh (estilo de dança-teatro japonês), Tadashi Endo.
O espetáculo,trata da transformação da história individual, da identidade, em energia e será um diálogo entre a contenção da arte japonesa e a explosão de energia afro-baiana.
A montagem tem coordenação de Chica Carelli e direção musical de Jarbas Bitencourt. O elenco do Bando de Teatro Olodum é formado por Ednaldo Muniz, Elane nascimento, Fábio Santana, Leno Sacramento, Ridson Reis, Sérgio Laurentino e Valdinéia Soriano.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Super-Herói Lado a Lado
Ontem estava em casa com minha família e às 18h corri pra frente da tv pra ver a mais uma estréia na telinha. Preparei a pipoca e tudo.Isso porque vi nas chamadas,durante a semana, muitas coisas que me chamaram a atenção nesse novo folhetim que foi ao ar.
Quando começou me deparei com situações que jamais tinha visto na televisão desde que nasci.
Vi um cara bonito e elegante andando no meio das pessoas iguais a ele e demarcava espaço no local onde
Quando começou me deparei com situações que jamais tinha visto na televisão desde que nasci.
Vi um cara bonito e elegante andando no meio das pessoas iguais a ele e demarcava espaço no local onde
mostraria suas habilidades como barbeiro.Inteligente e encantador na arte de falar com os seus,agora,vizinhos e sagaz e humano quando se mostrou forte,consciente e conquistador com muita ginga.
A gente vibrava no sofá com os movimentos do Zé Maria.Viajei.Parecia com às vezes que eu me sentava à frente da tv preto e branco, pra assistir meu super herói favorito Japonês,e que me fazia acreditar que eu podia voar e derrubar 4 ou 5 adversário num contragolpe,também.Tudo isso na minha infância.E essa verossimilhança do Zé me encantou.
E quando ele tirou a mascara e se revelou o ser humano por traz da fantasia foi sublime e diferente demais.O artista que representava o Herói Ze Maria-Lázaro Ramos,pela primeira vez era Negro-Herói,parecia de fato com meu pai.E a mulher que provavelmente será sua "Maravilha Mulher"estava lá junto com seu pai.É uma família com possibilidade de crescer quando eles se juntarem.Vi religião de matriz africana,ao invés de Dogmas cristãos europeus como de costume.
Mais uma coisa me chamou à atenção: o modo como foi abordado e apresentado o Racismo. Era evidente o preconceito com os negros nas ações e reações dos brancos naquelas cenas.Vale ressaltar que o Super-Heroi,agora,sentado à mesa do restaurante mais caro do lugar,com sua futura senhora,sob o olhar do garçom e os demais clientes,envolvido por um silêncio ensurdecedor,fez questão de explicar para àqueles que "…esse é meu lugar,também.Estamos no século XX…"
Diferente de todos os outros, esse Herói não soltava raio laser,teias de aranha,balas de revolver…ele vestia-se de alegria,brincava de jogar capoeira e tinha noção de espaço,tempo e um nome parecido com dos meus tios ZÉ Carlos e Tia MARIA.
Tomara que as crianças e adultos tenham visto o que vi Lazaro Ramos,Camila Pitanga,Milton Gonçalves e Zezeh Barbosa sendo: SUPER HEROIS BRASILEIROS.
Avance Zé Maria!
Por Érico Brás
A gente vibrava no sofá com os movimentos do Zé Maria.Viajei.Parecia com às vezes que eu me sentava à frente da tv preto e branco, pra assistir meu super herói favorito Japonês,e que me fazia acreditar que eu podia voar e derrubar 4 ou 5 adversário num contragolpe,também.Tudo isso na minha infância.E essa verossimilhança do Zé me encantou.
E quando ele tirou a mascara e se revelou o ser humano por traz da fantasia foi sublime e diferente demais.O artista que representava o Herói Ze Maria-Lázaro Ramos,pela primeira vez era Negro-Herói,parecia de fato com meu pai.E a mulher que provavelmente será sua "Maravilha Mulher"estava lá junto com seu pai.É uma família com possibilidade de crescer quando eles se juntarem.Vi religião de matriz africana,ao invés de Dogmas cristãos europeus como de costume.
Mais uma coisa me chamou à atenção: o modo como foi abordado e apresentado o Racismo. Era evidente o preconceito com os negros nas ações e reações dos brancos naquelas cenas.Vale ressaltar que o Super-Heroi,agora,sentado à mesa do restaurante mais caro do lugar,com sua futura senhora,sob o olhar do garçom e os demais clientes,envolvido por um silêncio ensurdecedor,fez questão de explicar para àqueles que "…esse é meu lugar,também.Estamos no século XX…"
Diferente de todos os outros, esse Herói não soltava raio laser,teias de aranha,balas de revolver…ele vestia-se de alegria,brincava de jogar capoeira e tinha noção de espaço,tempo e um nome parecido com dos meus tios ZÉ Carlos e Tia MARIA.
Tomara que as crianças e adultos tenham visto o que vi Lazaro Ramos,Camila Pitanga,Milton Gonçalves e Zezeh Barbosa sendo: SUPER HEROIS BRASILEIROS.
Avance Zé Maria!
Por Érico Brás
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Dô
O ideograma DÔ significa MOVIMENTO - nome provisório do
espetáculo, resultado de nossa colaboração.
O espetáculo trata da transformação da história individual,
da identidade, em energia.
https://www.facebook.com/do.bando.tadashi
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Butoh Brasileiro
Nesta quinta-feira, 29/08, o Bando começou a montar o seu
novo espetáculo, “Butoh Brasileiro”, que tem previsão de estreia pra Novembro.
A direção é de Tadashi Endo, e também de nossos conhecidos e queridos Marcio Meirelles, Chica Carelli e Jarbas Bittencourt.
Tadashi veio ao Brasil em março, fez uma oficina com o elenco
e deixou um esboço de roteiro, que já está sendo relembrando, através de vídeos,
e discutido entre direção e elenco.
Segundo,
Ridson Reis, o processo ainda é um pouco confuso porque tá bem no início. E
diz, também, que é muito diferente/instigante esse jeito de dançar e pensar a
dança.
Fotos: Jorge Washington
Essa montagem conta com o apoio da Uselave e Avianca
que é transportadora do Bando de Teatro Olodum.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Noite de Festa!
Aconteceu na noite de quarta-feira, 29/08, o lançamento do livro "Guerreiras do Cabaré", o segundo do jornalista Marcos Uzel que tem como foco o Bando de Teatro Olodum. Em 2003, Uzel publicou "O teatro do Bando: negro, baiano e popular", um conjunto de reportagens de conteúdo biográfico que documentou a atuação do Bando de Teatro Olodum entre 1990 e 2002. Com esta nova publicação, ele dá continuidade ao seu projeto Trilogia do Bando, que deve gerar ainda uma terceira publicação que atualize a biografia da companhia baiana.
O ponto alto da noite foi a leitura de trechos do livro pelos atores do Bando de Teatro Olodum. Ao final, Marcio Meirelles destacou a importância da publicação e anunciou que o espetáculo "Cabaré da Rrrraça" volta a cartaz em janeiro de 2013.
Fotos: Tai Oliver
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Lançamento do livro "Guerreiras do Cabaré – A mulher negra no espetáculo do Bando de Teatro Olodum" do jornalista e escritor Marcos Uzel.
O lançamento do livro "Guerreiras do Cabaré – A mulher negra no espetáculo do Bando de Teatro Olodum" (Edufba/208 páginas) acontece aqui no Vila nesta quarta-feira, 29/08, às 19h. O livro é uma extensão das experiências acumuladas pelo autor nos últimos 20 anos, dentro e fora da academia, nas inserções pelo campo da pesquisa e do exercício jornalístico como repórter de cultura e crítico teatral.
A temática abordada por Uzel em 'Guerreiras do Cabaré' evidencia uma reflexão sintonizada com a atualidade de um mundo no qual crimes de racismo ainda são praticados cotidianamente e onde os aspectos de gênero da discriminação racial e os aspectos raciais da discriminação de gênero não foram totalmente apreendidos nos discursos pelos direitos humanos.
O principal estímulo para a publicação foi a fartura de possibilidades de reflexão apresentadas pelas personagens femininas do espetáculo, dirigido por Marcio Meirelles. A peça é impregnada de temas vinculados à questão racial, como identidade, relações inter-raciais, miscigenação, branqueamento, sexualidade e religião.
Maioria no conjunto de papéis desta encenação, mulheres negras de perfis variados defendem seus pontos de vista e confrontam idéias a cada tema abordado. Elas têm diferentes faixas etárias, níveis de formação, profissões, posições no mercado de trabalho, posturas políticas e formas de exercer sua religiosidade.
São personagens que possuem uma vida produtiva, trabalham ou estudam e não dependem dos homens. Todas são afetadas pelo racismo, mas elas demonstram como é particular a maneira de cada uma se situar diante das formas de discriminação. Em cena, distribuem-se pelos caminhos da negação, da omissão, do reconhecimento ou do enfrentamento da discriminação racial.
A temática abordada por Uzel em 'Guerreiras do Cabaré' evidencia uma reflexão sintonizada com a atualidade de um mundo no qual crimes de racismo ainda são praticados cotidianamente e onde os aspectos de gênero da discriminação racial e os aspectos raciais da discriminação de gênero não foram totalmente apreendidos nos discursos pelos direitos humanos.
O principal estímulo para a publicação foi a fartura de possibilidades de reflexão apresentadas pelas personagens femininas do espetáculo, dirigido por Marcio Meirelles. A peça é impregnada de temas vinculados à questão racial, como identidade, relações inter-raciais, miscigenação, branqueamento, sexualidade e religião.
Maioria no conjunto de papéis desta encenação, mulheres negras de perfis variados defendem seus pontos de vista e confrontam idéias a cada tema abordado. Elas têm diferentes faixas etárias, níveis de formação, profissões, posições no mercado de trabalho, posturas políticas e formas de exercer sua religiosidade.
São personagens que possuem uma vida produtiva, trabalham ou estudam e não dependem dos homens. Todas são afetadas pelo racismo, mas elas demonstram como é particular a maneira de cada uma se situar diante das formas de discriminação. Em cena, distribuem-se pelos caminhos da negação, da omissão, do reconhecimento ou do enfrentamento da discriminação racial.
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Defesa da Dissertação " Bando de Teatro Olodum: uma política social in cena".
Acontece no dia 27 de agosto, às 14h30, no auditório da UCSAL, Campus Federação (Rua Cardeal da Silva, nº 205), a defesa da dissertação Bando de Teatro Olodum: uma política social in cena, defendida por Régia Mabel da Silva Freitas, mestranda em Políticas Sociais e Cidadania (UCSal), pesquisadora de relações étnico-raciais, bolsista da FAPESB (Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia) e cola
boradora de grupos de pesquisa da UCSAL: GAPPS (Gestão e Avaliação de Políticas e Projetos Sociais) e NPEJI (Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Juventudes, Identidades e Cidadania)
Assídua desde 2001 no Teatro Vila Velha, como espectadora dos espetáculos do Bando e dos demais grupos residentes, Mabel percebeu que esse grupo em especial reúne correntes artísticas e ideológicas e possui uma teatralidade com matrizes estéticas que combinavam com os estudos acadêmicos anteriores sobre a historicidade das intervenções sociais negras baianas na luta por seus direitos pós-abolição. Ela então decidiu investigar as contribuições do Bando de Teatro Olodum no processo de construção da cidadania de atores e ex-atores.
Compõem a Banca Examinadora a Doutora Katia Siqueira de Freitas (orientadora), Doutora Mary Garcia Castro (UCSAL), Doutor Jeferson Bacelar (CEAO - UFBA) e Doutor Hélio Santos (Visconde de Cairu).
Banca de defesa (Bando de Teatro Olodum: uma política social in cena)
Auditório da UCSAL – Campus Federação – Rua Cardeal da Silva, nº 205.
27/08 – 14h30
Assídua desde 2001 no Teatro Vila Velha, como espectadora dos espetáculos do Bando e dos demais grupos residentes, Mabel percebeu que esse grupo em especial reúne correntes artísticas e ideológicas e possui uma teatralidade com matrizes estéticas que combinavam com os estudos acadêmicos anteriores sobre a historicidade das intervenções sociais negras baianas na luta por seus direitos pós-abolição. Ela então decidiu investigar as contribuições do Bando de Teatro Olodum no processo de construção da cidadania de atores e ex-atores.
Compõem a Banca Examinadora a Doutora Katia Siqueira de Freitas (orientadora), Doutora Mary Garcia Castro (UCSAL), Doutor Jeferson Bacelar (CEAO - UFBA) e Doutor Hélio Santos (Visconde de Cairu).
Banca de defesa (Bando de Teatro Olodum: uma política social in cena)
Auditório da UCSAL – Campus Federação – Rua Cardeal da Silva, nº 205.
27/08 – 14h30
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Negros exigem protagonismo na produção de sua própria arte
Nos últimos quatro anos, o Ministério da Cultura recebeu cerca de 30 mil propostas de incentivo, dos quais 473 eram ligados à cultura negra. Porém, só 93 foram aprovados para captação de recursos e 25 receberam efetivamente os recursos.
Menezes (D): a cota para arte negra em patrocínio de estatais só pode ser implementada com alteração na Lei Rouanet.Negros exigem protagonismo na produção de sua própria arte e ministra ainda vê barreiras provocadas por "racismo institucional". Alexandra Martins
A política de patrocínio público à cultura negra foi debatida, em audiência da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados nesta terça-feira. Apesar de reconhecerem avanços nos últimos anos, artistas e produtores culturais negros se queixam de dificuldades na aprovação de seus projetos em editais de patrocínio bancados por estatais, como Petrobras, Correios e Banco do Brasil, por exemplo.
Representantes do Ministério da Cultura acreditam que a aprovação do Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura (Procultura), que está em tramitação na Câmara (PL 6722/10), pode ajudar a ampliar a representatividade dos negros na produção cultural brasileira. O projeto revoga a legislação vigente sobre o assunto, como a Lei Rouanet (8.313/91), e aguarda análise da Comissão de Finanças e Tributação.
O secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do ministério, Hemilton Menezes, afirmou que as mudanças poderão adequar a legislação às demandas latentes de todos os setores culturais. A criação de cota para projetos de arte negra em patrocínios de estatais, por exemplo, só poderia ser implementada com a alteração da Lei Rouanet, segundo ele.
Menezes e o presidente da Fundação Palmares, Eloi Ferreira, reconheceram que, hoje, é mínimo o percentual de projetos com temática da cultura negra entre os aprovados pela Lei Rouanet.
Nos últimos quatro anos, o Ministério da Cultura recebeu cerca de 30 mil propostas de incentivo, dos quais 473 eram ligados à cultura negra. Porém, só 93 foram aprovados para captação de recursos e 25 receberam efetivamente os recursos.
Luiza de Bairros: há uma espécie de racismo institucional.
Alexandra Martins
Gerências de estatais
A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza de Bairros, responsabilizou as gerências de estatais pela baixa aprovação de patrocínio cultural a projetos de arte negra. "De forma fraterna e sem querer criar polêmica, há uma espécie de racismo institucional", afirmou a ministra.
A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza de Bairros, responsabilizou as gerências de estatais pela baixa aprovação de patrocínio cultural a projetos de arte negra. "De forma fraterna e sem querer criar polêmica, há uma espécie de racismo institucional", afirmou a ministra.
Segundo ela, a secretaria já firmou acordo de cooperação com a Caixa Econômica Federal, os Correios e a Petrobras para enfatizar aspectos da igualdade étnico-cultural nos editais de patrocínio. Luiza de Bairros não vê obstáculos a esse tema no comando das empresas estatais. A dificuldade, segundo ela, está no nível técnico, nas gerências responsáveis pelas atividades de patrocínio.
A ministra defendeu regras mais explícitas para a valorização de critérios raciais nos comitês de patrocínio cultural das estatais. "Não se pode negar a 51% da população brasileira o direito de se sentir corretamente representada na produção cultural do País", disse Luiza de Bairros.
Cotas
Os participantes da audiência defenderam cotas para produtores negros nos patrocínios estatais e critérios étnico-raciais nos editais de promoção cultural. Hemilton ressaltou que, antes, é preciso qualificar a apresentação de projetos que atendam às exigências burocráticas dos órgãos de controle. "Eu acho que é possível discutir cotas, mas a cota por si não vai resolver o problema como se fosse uma panaceia, porque, se for estabelecida uma cota e as boas propostas não aparecerem, nós corremos o risco de patrocinar propostas de qualidade não meritória. Então, é necessário que, antes das cotas, a gente possa dar protagonismo às comunidades negras no que diz respeito à formatação do projeto, que a gente sabe que tem a sua complexidade".
Os participantes da audiência defenderam cotas para produtores negros nos patrocínios estatais e critérios étnico-raciais nos editais de promoção cultural. Hemilton ressaltou que, antes, é preciso qualificar a apresentação de projetos que atendam às exigências burocráticas dos órgãos de controle. "Eu acho que é possível discutir cotas, mas a cota por si não vai resolver o problema como se fosse uma panaceia, porque, se for estabelecida uma cota e as boas propostas não aparecerem, nós corremos o risco de patrocinar propostas de qualidade não meritória. Então, é necessário que, antes das cotas, a gente possa dar protagonismo às comunidades negras no que diz respeito à formatação do projeto, que a gente sabe que tem a sua complexidade".
Hemilton Menezes e Eloi Ferreira anunciaram a criação de um grupo de trabalho, com representantes do Ministério da Cultura, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência e da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, para discutir a implementação de ações de incentivo à cultura negra enquanto as mudanças na legislação não ocorrem.
Fonte:http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/EDUCACAO-E-CULTURA/424597-NEGROS-EXIGEM-PROTAGONISMO-NA-PRODUCAO-DE-SUA-PROPRIA-ARTE.html Reportagem - José Carlos Oliveira
Edição - Regina Céli Assumpção
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Marcio Meirelles estreia Drácula
Convergindo teatro, tecnologia e novas mídias, Drácula - obra homônima de Bram Stoker (1897), o mais célebre romance de horror - será livremente adaptado e encenado em Salvador, a partir de agosto de 2012, sob a direção de Marcio Meirelles.
Na montagem inovadora, o lugar do protagonista será revisitado: não haverá ator interpretando o Conde Drácula, mas sim uma série de projeções que percorrerá a sala de espetáculos, com imagens, palavras e sons contracenando com o elenco.
Na montagem inovadora, o lugar do protagonista será revisitado: não haverá ator interpretando o Conde Drácula, mas sim uma série de projeções que percorrerá a sala de espetáculos, com imagens, palavras e sons contracenando com o elenco.
Sobre este processo, o diretor Marcio Meirelles confessa que deseja alcançar o máximo das dimensões possíveis da obra e fazer uma coisa diferente dos chavões. “Quero que a peça fale mesmo sobre alma, sobre nossas questões com a morte, com o outro, com o desconhecido, com os monstros que nós criamos e com aqueles que são criados e nós enfrentamos”, declara.
fonte: site do teatro Vila Velha
Raimundo Bujão, recebe a Medalha Zumbi dos Palmares.
Raimundo Bujão, bacharel em filosofia, produtor cultural e histórico militante do movimento negro, recebe a Medalha Zumbi dos Palmares. Esta importante condecoração da Câmara Municipal de Salvador é uma iniciativa do vereador Moisés Rocha (
PT) e teve aprovação unanime pelos vereadores da casa. A solenidade será realizada no plenário Cosme de Farias da Câmara (Praça Municipal), nesta sexta feira, dia 17 de agosto, às 19h, com a participação de convidados e militantes do movimento social da Bahia.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Lançamento do Livro: Guerreiras do Cabaré - A Mulher Negra no Espetáculo do Bando de Teatro Olodum.
Empresária, cantora, advogada ou universitária, as personagens femininas do espetáculo Cabaré da Rrrrraça, cartão postal do Bando de Teatro Olodum, representam mulheres negras que serviram de eixo para a sobrevivência e transformações da cultura africana no Brasil. Elas foram as fontes de inspiração do novo livro do jornalista e escritor Marcos Uzel, que celebra nas páginas deste novo trabalho o sucesso e a longevidade desta peça, que comemora neste mês 15 anos em cartaz. O livro será lançado no dia 29 de agosto, às 19h, no Teatro Vila Velha.
terça-feira, 24 de julho de 2012
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Um jovem ancião de Oxossi
É quase impossível vê-lo sem um sorriso no rosto. Com menos de 50 anos, esse ator baiano é referência de luta política pela cultura e a arte de seu povo. Axé, Jorge Washington!
Várias pessoas que veem aquele negro alto de longos dreads na cabeça mergulhando nas águas quentes de pequeno córrego que corta Arembepe - a mais famosa aldeia hippie do Brasil, no município de Camaçari, a 30 quilômetros de Salvador - logo o reconhece do filme e do seriado Ó Paí Ó, da Globo. "Jamais vou esquecer a cena em que você está sentado na privada, quando o casarão é implodido", comenta uma senhora. Jorge Washington Rodrigues da Silva simplesmente sorri. Considera aquele local seu paraíso. "Moro no bairro da Liberdade, em Salvador, onde sempre vivi. Acho que ali é a maior concentração de negros e de negras do País. Desde muito cedo entrei para o Movimento Negro e aprendi a fazer militância. Nas ruas da cidade, no palco com o Bando de Teatro Olodum ou na farmácia do Hospital Manoel Vitorino. Minha missão é combater o racismo."
Oxossi, orixá caça, agricultura, alimentação é fartura ao dono de seu Orí (cabeça). Ele também comanda a busca do conhecimento, o ensino, a cultura e as artes Essa é a cara do Jorge.
Òké Aro!!! Arolé!
"Desde muito cedo entrei para o movimento negro e aprendi a fazer militância. Nas ruas da cidade, no palco com o bando de teatro Olodum ou na farmácia do hospital Manoel Vitorino. Minha missão é combater o racismo "
Fonte: Revista Raça Brasil - Edição 168 - 2012
Várias pessoas que veem aquele negro alto de longos dreads na cabeça mergulhando nas águas quentes de pequeno córrego que corta Arembepe - a mais famosa aldeia hippie do Brasil, no município de Camaçari, a 30 quilômetros de Salvador - logo o reconhece do filme e do seriado Ó Paí Ó, da Globo. "Jamais vou esquecer a cena em que você está sentado na privada, quando o casarão é implodido", comenta uma senhora. Jorge Washington Rodrigues da Silva simplesmente sorri. Considera aquele local seu paraíso. "Moro no bairro da Liberdade, em Salvador, onde sempre vivi. Acho que ali é a maior concentração de negros e de negras do País. Desde muito cedo entrei para o Movimento Negro e aprendi a fazer militância. Nas ruas da cidade, no palco com o Bando de Teatro Olodum ou na farmácia do Hospital Manoel Vitorino. Minha missão é combater o racismo."
Jorge Washington com o bando de teatro Oludum
No ano passado, ele foi agraciado com a Medalha Zumbi dos Palmares, concedida pela Câmara Municipal de Salvador, por indicação do vereador Moisés Rocha (PT). Na ocasião, comentou que começou a atuar num grupo de teatro amador do Calabar - uma das comunidades mais carentes da zona norte da capital baiana. Ali descobriu que "aquela linguagem artística poderia ser usada para denunciar as intolerâncias, os preconceitos e as discriminações e, principalmente, transformar mentes e corações". Por isso se formou no curso Livre de Teatro, da Universidade Federal da Bahia (Ufba).
O ator em Arembepe, no município de Camaçari, na Bahia
Jorge conta que estava quase desistindo da carreira, quando soube que o diretor Márcio Meirelles estava convocando atores para montar um grupo teatral que iria trabalhar com a temática afro. Apresentou-se e, de lá para cá, participou das 31 montagens do Bando de Teatro Olodum, em 21 anos de carreira. Por sinal ele é o único que esteve em todos os espetáculos desse grupo, além do filme Ó Paí Ó e do seriado de TV. Seus trabalhos individuais mais recentes no cinema foram Jardim das Folhas Sagradas, de Póla Ribeiro, e O Homem que Não Dormia, do cineasta baiano Edgard Navarro. A avant première aconteceu no final do mês passado, na Mostra Internacional de Filmes do Cine Futuro - VII Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual, no Teatro Castro Alves. Jorge vive o personagem Lubisone que, segundo ele, "é diferente de tudo o que já fiz no cinema, teatro e televisão. Um momento diferente e especial na minha carreira de ator."
Jorge Washington é intransigente quando se trata de fazer alguma concessão para um papel que desfavoreça a imagem do povo afro: "Não tem dinheiro que faça eu vender mais de 500 anos de história de luta da minha raça."
Òké Aro!!! Arolé!
"Desde muito cedo entrei para o movimento negro e aprendi a fazer militância. Nas ruas da cidade, no palco com o bando de teatro Olodum ou na farmácia do hospital Manoel Vitorino. Minha missão é combater o racismo "
Fonte: Revista Raça Brasil - Edição 168 - 2012
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Rio dos Macacos: Bando de Teatro Olodum é impedido de entrar no local
Mais um impasse entre os moradores da Quilombo Rio dos Macacos e a Marinha do Brasil (MB) marcou a manhã deste domingo (8). O elenco do grupo Bando de Teatro Olodum, que faria uma leitura dramática de um dos seus espetáculos às 10h na comunidade, localizada próximo à Base Naval de Aratu, em Salvador, foi impedido de entrar no local pela MB. O ex-secretário estadual da cultura e diretor do grupo teatral Márcio Meirelles esteve no local e tentou negociar com o comando do distrito naval o acesso ao quilombo, mas foi em vão.
Segundo o advogado da Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais no Estado da Bahia (AATR-Ba), Pedro Diamantino, todo o grupo esteve na portaria da Base Naval por cerca de três horas na tentativa de a entrada ser liberada. Por volta das 11h30, Márcio Meirelles informou que o acesso não seria autorizado no dia, mas que na terça-feira (10), ele e a MB voltariam a conversar, com um pedido formal, sobre a possível realização do evento na comunidade.
Segundo Meireles, o comandante da Base Naval de Aratu, Marcos Costa, teria alegado que não houve um pedido formal da companhia de teatro solicitando a entrada do grupo e realização do evento e, com isso, a MB não pôde autorizar o acesso. Ainda segundo Meirelles, o comandante teria dito que soube do evento pelas redes sociais e que, por se tratar de uma área de segurança nacional, não poderia liberar a entrada de cerca de 80 pessoas, que não estão cadastradas, sem que houvesse uma ordem de autorização.
Meirelles, no entanto, se mostrou otimista quanto à possibilidade da realização do encontro na próxima terça. "O bom senso diz que um grupo de teatro não é algo que vá pôr em risco a segurança do local", disse. O diretor informou ainda que a MB também está ciente sobre o tema do espetáculo. "Eles sabem que é um ato de apoio à comunidade por questões históricas, culturais e até políticas. Tem gente aqui [no Quilombo Rio dos Macacos] que nunca foi ao teatro, nunca viu o teatro. E o termo teatro significa isso 'onde se vê'", falou.
O texto da montagem “Candaces, a Reconstrução do Fogo” ressalta mitos e símbolos da ancestralidade africana no Brasil, além de contar a história de resistência das rainhas guerreiras associada à luta da comunidade quilombola pela dignidade e em defesa do seu território.
Para o advogado Pedro Diamantino, a atitude da Marinha é um falta de respeito aos direitos humanos. "Não permitir uma manifestação artística cultural é restringir todos os níveis dos direitos humanos. É inacreditável como isso ainda está acontecendo em 2012", declarou. Ele explicou que caso o grupo tentasse entrar por outras vias de acesso, a MB poderia considerar “violação de área de segurança nacional”.
A representante da Associação dos Quilombolas, Rosimeire dos Santos, lamentou o fato de a companhia de teatro não ter consigo acesso à comunidade. “O que eles fizeram foi tirar o direito que uma pessoa normal tem. A comunidade vive como uma verdadeira senzala. Impediram hoje como todas as outras vezes. Infelizmente esse é o governo que a gente tem”, declarou.
A reportagem de A TARDE entrou em contato com a Marinha do Brasil. Ela informou que uma nota oficial deverá ser divulgada à imprensa a partir desta segunda-feira (9).
Declarações - O Comando do 2º Distrito Naval divulgou nota oficial no dia 14 de junho [leia na íntegra - arquivo PDF], informando que o terreno onde está instalada a comunidade quilombola pertence à União Federal, estando sob a administração da MB, e que os moradores de Rio dos Macacos "residem irregularmente" na localidade. Segundo a nota, a "área foi desapropriada na década de 50, mediante justa e prévia indenização, estando consignado no processo que a empresa expropriada detinha a sua posse mansa e pacífica, sem contestação nem oposição de quem quer que fosse".
No dia 28 de junho, 14 dias após o comunicado da MB, a comunidade quilombola respondeu às acusações, divulgando material com a sua versão da história. Em nota de esclarecimento [leia na íntegra - arquivo PDF], os moradores do Rio dos Macacos informou que a MB é "omissa aos fatos que reiteradamente vêm acontecendo na comunidade".
Entre as justificativas e queixas, o documento dos quilombolas diz que "A MB afirma colaborar para uma solução pacífica e célere que atendesse aos interesses de ambas as partes, informando que colocou à disposição da comunidade um terreno a 01 km do local. No entanto, além de não levar em consideração o nosso desejo e nosso direito de permanecer em nossa terra, em nenhum momento este projeto foi apresentado de forma oficial, o que reitera a prática da Marinha do Brasil de não cumprir os acordos “informais” até então firmados, como o não uso da violência e o fim do patrulhamento ostensivo no território do quilombo".
Episódio - No dia 28 de maio, o comando da MB esteve no Quilombo Rio dos Macacos para impedir a construção do imóvel de um morador antigo da comunidade, José de Araújo dos Santos. Ele teve a casa demolida por conta da chuva e resolveu construir em um outro espaço, dentro do quilombo.
A nota enviada pela MB explica que "os moradores não podem realizar qualquer tipo de intervenção no bem, sem a devida autorização judicial". José de Araújo deu início à construção e teria continuado, mesmo após notificação da MB e, por isso, mediante determinação de imediata paralisação de qualquer construção, oficiais da Marinha foram ao quilombo paralisar a obra.
O Comando do 2º Distrito Naval também negou as acusações de ameaças e maus tratos aos moradores de Rio dos Macacos. "O tratamento dispensado pela Marinha do Brasil aos moradores sempre foi respeitoso e humano, e todas as denúncias de conflitos envolvendo militares, que chegaram ao conhecimento do Comando do 2º Distrito Naval, foram devidamente apuradas, por meio dos procedimentos investigatórios pertinentes, não tendo sido encontrado, até o presente momento, qualquer indício que confirmasse a veracidade das acusações".
Fonte:A Tarde Online
sexta-feira, 6 de julho de 2012
BANDO DE TEATRO OLODUM FARÁ LEITURA DRAMÁTICA EM RIO DOS MACACOS
Companhia teatral
associa-se a luta dos quilombolas em defesa do território
Para chama a atenção da sociedade para as violações sofridas pela
comunidade quilombola de Rio dos Macacos,
próximo a Simões Filho (BA), o Bando de
Teatro Olodum realizará neste domingo, dia 08 de julho, às 10h, uma leitura
dramática do espetáculo Candaces, a Reconstrução do Fogo,
montagem premiada do diretor Márcio Meirelles, encenada pela Companhia Comuns,
do Rio de Janeiro. Por meio da exaltação da força da mulher negra, o texto
ressalta mitos e símbolos da ancestralidade africana no Brasil. A história de
resistência das guerreiras candaces pode ser associada à luta da comunidade
quilombola pela dignidade e em defesa do seu território.
Márcio Meirelles, Cobrinha e Zebrinha
A comunidade formada por 50 famílias negras sofre constantemente pela
ameaça de despejo por parte da Marinha do Brasil, que se considera proprietária
das terras habitadas pelos moradores há mais de um século. São diversos os
relatos de agressão, ameaças, impedimento de circulação e invasão de
domicílios. “O Artigo 68 da Constituição de 1988 e o Decreto 4887/2003,
garantem os direitos da ocupação secular da Comunidade”, explica a socióloga e
Presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra na Bahia, Vilma
Reis. “A Marinha do Brasil não pode tomar o Território de Rio dos Macacos
porque ela, como instituição Brasileira, não está acima das demais instituições
nacionais. Vivemos sob a vigência do estado democrático de direito”, afirma a
socióloga, destacando as diversas leis e programas federais em defesa dos
direitos das comunidades remanescentes de quilombos.
“O Bando de Teatro Olodum se associa à luta desses brasileiros que estão
sendo ameaçados por aqueles que deveriam garantir sua segurança. A sociedade brasileira
precisa ter conhecimento e tomar partido desta situação. Estamos expressando a
nossa indignação por meio da nossa arte”, afirma o diretor Márcio Meirelles. O
espetáculo Candaces, a reconstrução do Fogo estreou em 2003, no Rio de
Janeiro, e recebeu indicações ao Prêmio Shell nas categorias de direção,
figurino, música e coreografia.
SERVIÇO
O que: Leitura Dramática de Candaces, a Reconstrução do Fogo
Onde: Comunidade Quilombola Rio dos Macacos, BA 528 - entrada em
frente ao Posto de Gasolina Inema – Aratú, Simões Filho – Ba
Quando: Domingo dia 08 de julho, às 10h.
Informações: 3083-4620 - 4619/ http://bandodeteatro.blogspot.com.br/
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