quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Lançamento do livro "Guerreiras do Cabaré – A mulher negra no espetáculo do Bando de Teatro Olodum" do jornalista e escritor Marcos Uzel.

O lançamento do livro "Guerreiras do Cabaré – A mulher negra no espetáculo do Bando de Teatro Olodum" (Edufba/208 páginas) acontece aqui no Vila nesta quarta-feira, 29/08, às 19h. O livro é uma extensão das experiências acumuladas pelo autor nos últimos 20 anos, dentro e fora da academia, nas inserções pelo campo da pesquisa e do exercício jornalístico como repórter de cultura e crítico teatral.



A temática abordada por Uzel em 'Guerreiras do Cabaré' evidencia uma reflexão sintonizada com a atualidade de um mundo no qual crimes de racismo ainda são praticados cotidianamente e onde os aspectos de gênero da discriminação racial e os aspectos raciais da discriminação de gênero não foram totalmente apreendidos nos discursos pelos direitos humanos.
O principal estímulo para a publicação foi a fartura de possibilidades de reflexão apresentadas pelas personagens femininas do espetáculo, dirigido por Marcio Meirelles. A peça é impregnada de temas vinculados à questão racial, como identidade, relações inter-raciais, miscigenação, branqueamento, sexualidade e religião.



Maioria no conjunto de papéis desta encenação, mulheres negras de perfis variados defendem seus pontos de vista e confrontam idéias a cada tema abordado. Elas têm diferentes faixas etárias, níveis de formação, profissões, posições no mercado de trabalho, posturas políticas e formas de exercer sua religiosidade.

São personagens que possuem uma vida produtiva, trabalham ou estudam e não dependem dos homens. Todas são afetadas pelo racismo, mas elas demonstram como é particular a maneira de cada uma se situar diante das formas de discriminação. Em cena, distribuem-se pelos caminhos da negação, da omissão, do reconhecimento ou do enfrentamento da discriminação racial.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Defesa da Dissertação " Bando de Teatro Olodum: uma política social in cena".


Acontece no dia 27 de agosto, às 14h30, no auditório da UCSAL, Campus Federação (Rua Cardeal da Silva, nº 205), a defesa da dissertação Bando de Teatro Olodum: uma política social in cena, defendida por Régia Mabel da Silva Freitas, mestranda em Políticas Sociais e Cidadania (UCSal), pes­quisadora de relações étnico-raciais, bolsista da FAPESB (Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia) e cola
boradora de grupos de pesquisa da UCSAL: GAPPS (Gestão e Avaliação de Políticas e Projetos Sociais) e NPEJI (Nú­cleo de Estudos e Pesquisas sobre Juventudes, Identidades e Cidadania)

Assídua desde 2001 no Teatro Vila Velha, como espectadora dos espetáculos do Bando e dos demais grupos residentes, Mabel percebeu que esse grupo em especial reúne correntes artísticas e ideológicas e possui uma teatralidade com matrizes estéticas que combinavam com os estudos acadêmicos anteriores sobre a historicidade das intervenções sociais negras baianas na luta por seus direitos pós-abolição. Ela então decidiu investigar as contribuições do Bando de Teatro Olodum no processo de construção da cidadania de atores e ex-atores. 

Compõem a Banca Examinadora a Doutora Katia Siqueira de Freitas (orientadora), Doutora Mary Garcia Castro (UCSAL), Doutor Jeferson Bacelar (CEAO - UFBA) e Doutor Hélio Santos (Visconde de Cairu). 

Banca de defesa (Bando de Teatro Olodum: uma política social in cena)
Auditório da UCSAL – Campus Federação – Rua Cardeal da Silva, nº 205.
27/08 – 14h30

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Negros exigem protagonismo na produção de sua própria arte


Nos últimos quatro anos, o Ministério da Cultura recebeu cerca de 30 mil propostas de incentivo, dos quais 473 eram ligados à cultura negra. Porém, só 93 foram aprovados para captação de recursos e 25 receberam efetivamente os recursos.

arte negra1Menezes (D): a cota para arte negra em patrocínio de estatais só pode ser implementada com alteração na Lei Rouanet.
Negros exigem protagonismo na produção de sua própria arte e ministra ainda vê barreiras provocadas por "racismo institucional". Alexandra Martins

A política de patrocínio público à cultura negra foi debatida, em audiência da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados nesta terça-feira. Apesar de reconhecerem avanços nos últimos anos, artistas e produtores culturais negros se queixam de dificuldades na aprovação de seus projetos em editais de patrocínio bancados por estatais, como Petrobras, Correios e Banco do Brasil, por exemplo.
Representantes do Ministério da Cultura acreditam que a aprovação do Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura (Procultura), que está em tramitação na Câmara (PL 6722/10), pode ajudar a ampliar a representatividade dos negros na produção cultural brasileira. O projeto revoga a legislação vigente sobre o assunto, como a Lei Rouanet (8.313/91), e aguarda análise da Comissão de Finanças e Tributação.
O secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do ministério, Hemilton Menezes, afirmou que as mudanças poderão adequar a legislação às demandas latentes de todos os setores culturais. A criação de cota para projetos de arte negra em patrocínios de estatais, por exemplo, só poderia ser implementada com a alteração da Lei Rouanet, segundo ele.
Menezes e o presidente da Fundação Palmares, Eloi Ferreira, reconheceram que, hoje, é mínimo o percentual de projetos com temática da cultura negra entre os aprovados pela Lei Rouanet.
Nos últimos quatro anos, o Ministério da Cultura recebeu cerca de 30 mil propostas de incentivo, dos quais 473 eram ligados à cultura negra. Porém, só 93 foram aprovados para captação de recursos e 25 receberam efetivamente os recursos.
arte negra 2Luiza de Bairros: há uma espécie de racismo institucional. 
Alexandra Martins
Gerências de estatais
A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza de Bairros, responsabilizou as gerências de estatais pela baixa aprovação de patrocínio cultural a projetos de arte negra. "De forma fraterna e sem querer criar polêmica, há uma espécie de racismo institucional", afirmou a ministra.
Segundo ela, a secretaria já firmou acordo de cooperação com a Caixa Econômica Federal, os Correios e a Petrobras para enfatizar aspectos da igualdade étnico-cultural nos editais de patrocínio. Luiza de Bairros não vê obstáculos a esse tema no comando das empresas estatais. A dificuldade, segundo ela, está no nível técnico, nas gerências responsáveis pelas atividades de patrocínio.
A ministra defendeu regras mais explícitas para a valorização de critérios raciais nos comitês de patrocínio cultural das estatais. "Não se pode negar a 51% da população brasileira o direito de se sentir corretamente representada na produção cultural do País", disse Luiza de Bairros.
Cotas
Os participantes da audiência defenderam cotas para produtores negros nos patrocínios estatais e critérios étnico-raciais nos editais de promoção cultural. Hemilton ressaltou que, antes, é preciso qualificar a apresentação de projetos que atendam às exigências burocráticas dos órgãos de controle. "Eu acho que é possível discutir cotas, mas a cota por si não vai resolver o problema como se fosse uma panaceia, porque, se for estabelecida uma cota e as boas propostas não aparecerem, nós corremos o risco de patrocinar propostas de qualidade não meritória. Então, é necessário que, antes das cotas, a gente possa dar protagonismo às comunidades negras no que diz respeito à formatação do projeto, que a gente sabe que tem a sua complexidade".
Hemilton Menezes e Eloi Ferreira anunciaram a criação de um grupo de trabalho, com representantes do Ministério da Cultura, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência e da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, para discutir a implementação de ações de incentivo à cultura negra enquanto as mudanças na legislação não ocorrem.
Fonte:http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/EDUCACAO-E-CULTURA/424597-NEGROS-EXIGEM-PROTAGONISMO-NA-PRODUCAO-DE-SUA-PROPRIA-ARTE.html 
Reportagem - José Carlos Oliveira 

Edição - Regina Céli Assumpção

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Marcio Meirelles estreia Drácula


Convergindo teatro, tecnologia e novas mídias, Drácula - obra homônima de Bram Stoker (1897), o mais célebre romance de horror - será livremente adaptado e encenado em Salvador, a partir de agosto de 2012, sob a direção de Marcio Meirelles.

Na montagem inovadora, o lugar do protagonista será revisitado: não haverá ator interpretando o Conde Drácula, mas sim uma série de projeções que percorrerá a sala de espetáculos, com imagens, palavras e sons contracenando com o elenco.
 
Sobre este processo, o diretor Marcio Meirelles confessa que deseja alcançar o máximo das dimensões possíveis da obra e fazer uma coisa diferente dos chavões. “Quero que a peça fale mesmo sobre alma, sobre nossas questões com a morte, com o outro, com o desconhecido, com os monstros que nós criamos e com aqueles que são criados e nós enfrentamos”, declara.

fonte: site do teatro Vila Velha

Raimundo Bujão, recebe a Medalha Zumbi dos Palmares.



Raimundo Bujão, bacharel em filosofia, produtor cultural e histórico militante do movimento negro, recebe a Medalha Zumbi dos Palmares. Esta importante condecoração da Câmara Municipal de Salvador é uma iniciativa do vereador Moisés Rocha (
PT) e teve aprovação unanime pelos vereadores da casa. A solenidade será realizada no plenário Cosme de Farias da Câmara (Praça Municipal), nesta sexta feira, dia 17 de agosto, às 19h, com a participação de convidados e militantes do movimento social da Bahia.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Lançamento do Livro: Guerreiras do Cabaré - A Mulher Negra no Espetáculo do Bando de Teatro Olodum.

Empresária, cantora, advogada ou universitária, as personagens femininas do espetáculo Cabaré da Rrrrraça, cartão postal do Bando de Teatro Olodum, representam mulheres negras que serviram de eixo para a sobrevivência e transformações da cultura africana no Brasil. Elas foram as fontes de inspiração do novo livro do jornalista e escritor Marcos Uzel, que celebra nas páginas deste novo trabalho o sucesso e a longevidade desta peça, que comemora neste mês 15 anos em cartaz. O livro será lançado no dia 29 de agosto, às 19h, no Teatro Vila Velha.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Um jovem ancião de Oxossi

É quase impossível vê-lo sem um sorriso no rosto. Com menos de 50 anos, esse ator baiano é referência de luta política pela cultura e a arte de seu povo. Axé, Jorge Washington!
Várias pessoas que veem aquele negro alto de longos dreads na cabeça mergulhando nas águas quentes de pequeno córrego que corta Arembepe - a mais famosa aldeia hippie do Brasil, no município de Camaçari, a 30 quilômetros de Salvador - logo o reconhece do filme e do seriado Ó Paí Ó, da Globo. "Jamais vou esquecer a cena em que você está sentado na privada, quando o casarão é implodido", comenta uma senhora. Jorge Washington Rodrigues da Silva simplesmente sorri. Considera aquele local seu paraíso. "Moro no bairro da Liberdade, em Salvador, onde sempre vivi. Acho que ali é a maior concentração de negros e de negras do País. Desde muito cedo entrei para o Movimento Negro e aprendi a fazer militância. Nas ruas da cidade, no palco com o Bando de Teatro Olodum ou na farmácia do Hospital Manoel Vitorino. Minha missão é combater o racismo."


Jorge Washington com o bando de teatro Oludum

No ano passado, ele foi agraciado com a Medalha Zumbi dos Palmares, concedida pela Câmara Municipal de Salvador, por indicação do vereador Moisés Rocha (PT). Na ocasião, comentou que começou a atuar num grupo de teatro amador do Calabar - uma das comunidades mais carentes da zona norte da capital baiana. Ali descobriu que "aquela linguagem artística poderia ser usada para denunciar as intolerâncias, os preconceitos e as discriminações e, principalmente, transformar mentes e corações". Por isso se formou no curso Livre de Teatro, da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

O ator em Arembepe, no município de Camaçari, na Bahia

Jorge conta que estava quase desistindo da carreira, quando soube que o diretor Márcio Meirelles estava convocando atores para montar um grupo teatral que iria trabalhar com a temática afro. Apresentou-se e, de lá para cá, participou das 31 montagens do Bando de Teatro Olodum, em 21 anos de carreira. Por sinal ele é o único que esteve em todos os espetáculos desse grupo, além do filme Ó Paí Ó e do seriado de TV. Seus trabalhos individuais mais recentes no cinema foram Jardim das Folhas Sagradas, de Póla Ribeiro, e O Homem que Não Dormia, do cineasta baiano Edgard Navarro. A avant première aconteceu no final do mês passado, na Mostra Internacional de Filmes do Cine Futuro - VII Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual, no Teatro Castro Alves. Jorge vive o personagem Lubisone que, segundo ele, "é diferente de tudo o que já fiz no cinema, teatro e televisão. Um momento diferente e especial na minha carreira de ator."
Jorge Washington é intransigente quando se trata de fazer alguma concessão para um papel que desfavoreça a imagem do povo afro: "Não tem dinheiro que faça eu vender mais de 500 anos de história de luta da minha raça."
Oxossi, orixá caça, agricultura, alimentação é fartura ao dono de seu Orí (cabeça). Ele também comanda a busca do conhecimento, o ensino, a cultura e as artes Essa é a cara do Jorge.
Òké Aro!!! Arolé!
"Desde muito cedo entrei para o movimento negro e aprendi a fazer militância. Nas ruas da cidade, no palco com o bando de teatro Olodum ou na farmácia do hospital Manoel Vitorino. Minha missão é combater o racismo "  


Fonte: Revista Raça Brasil - Edição 168 - 2012

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Rio dos Macacos: Bando de Teatro Olodum é impedido de entrar no local



Mais um impasse entre os moradores da Quilombo Rio dos Macacos e a Marinha do Brasil (MB) marcou a manhã deste domingo (8). O elenco do grupo Bando de Teatro Olodum, que faria uma leitura dramática de um dos seus espetáculos às 10h na comunidade, localizada próximo à Base Naval de Aratu, em Salvador, foi impedido de entrar no local pela MB. O ex-secretário estadual da cultura e diretor do grupo teatral Márcio Meirelles esteve no local e tentou negociar com o comando do distrito naval o acesso ao quilombo, mas foi em vão.

Segundo o advogado da Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais no Estado da Bahia (AATR-Ba), Pedro Diamantino, todo o grupo esteve na portaria da Base Naval por cerca de três horas na tentativa de a entrada ser liberada. Por volta das 11h30, Márcio Meirelles informou que o acesso não seria autorizado no dia, mas que na terça-feira (10), ele e a MB voltariam a conversar, com um pedido formal, sobre a possível realização do evento na comunidade.

Segundo Meireles, o comandante da Base Naval de Aratu, Marcos Costa, teria alegado que não houve um pedido formal da companhia de teatro solicitando a entrada do grupo e realização do evento e, com isso, a MB não pôde autorizar o acesso. Ainda segundo Meirelles, o comandante teria dito que soube do evento pelas redes sociais e que, por se tratar de uma área de segurança nacional, não poderia liberar a entrada de cerca de 80 pessoas, que não estão cadastradas, sem que houvesse uma ordem de autorização.

Meirelles, no entanto, se mostrou otimista quanto à possibilidade da realização do encontro na próxima terça. "O bom senso diz que um grupo de teatro não é algo que vá pôr em risco a segurança do local", disse. O diretor informou ainda que a MB também está ciente sobre o tema do espetáculo. "Eles sabem que é um ato de apoio à comunidade por questões históricas, culturais e até políticas. Tem gente aqui [no Quilombo Rio dos Macacos] que nunca foi ao teatro, nunca viu o teatro. E o termo teatro significa isso 'onde se vê'", falou.

O texto da montagem “Candaces, a Reconstrução do Fogo” ressalta mitos e símbolos da ancestralidade africana no Brasil, além de contar a história de resistência das rainhas guerreiras associada à luta da comunidade quilombola pela dignidade e em defesa do seu território.

Para o advogado Pedro Diamantino, a atitude da Marinha é um falta de respeito aos direitos humanos. "Não permitir uma manifestação artística cultural é restringir todos os níveis dos direitos humanos. É inacreditável como isso ainda está acontecendo em 2012", declarou. Ele explicou que caso o grupo tentasse entrar por outras vias de acesso, a MB poderia considerar “violação de área de segurança nacional”.
A representante da Associação dos Quilombolas, Rosimeire dos Santos, lamentou o fato de a companhia de teatro não ter consigo acesso à comunidade. “O que eles fizeram foi tirar o direito que uma pessoa normal tem. A comunidade vive como uma verdadeira senzala. Impediram hoje como todas as outras vezes. Infelizmente esse é o governo que a gente tem”, declarou.

A reportagem de A TARDE entrou em contato com a Marinha do Brasil. Ela informou que uma nota oficial deverá ser divulgada à imprensa a partir desta segunda-feira (9).
Declarações - O Comando do 2º Distrito Naval divulgou nota oficial no dia 14 de junho [leia na íntegra - arquivo PDF], informando que o terreno onde está instalada a comunidade quilombola pertence à União Federal, estando sob a administração da MB, e que os moradores de Rio dos Macacos "residem irregularmente" na localidade. Segundo a nota, a "área foi desapropriada na década de 50, mediante justa e prévia indenização, estando consignado no processo que a empresa expropriada detinha a sua posse mansa e pacífica, sem contestação nem oposição de quem quer que fosse".

No dia 28 de junho, 14 dias após o comunicado da MB, a comunidade quilombola respondeu às acusações, divulgando material com a sua versão da história. Em nota de esclarecimento [leia na íntegra - arquivo PDF], os moradores do Rio dos Macacos informou que a MB é "omissa aos fatos que reiteradamente vêm acontecendo na comunidade".

Entre as justificativas e queixas, o documento dos quilombolas diz que "A MB afirma colaborar para uma solução pacífica e célere que atendesse aos interesses de ambas as partes, informando que colocou à disposição da comunidade um terreno a 01 km do local. No entanto, além de não levar em consideração o nosso desejo e nosso direito de permanecer em nossa terra, em nenhum momento este projeto foi apresentado de forma oficial, o que reitera a prática da Marinha do Brasil de não cumprir os acordos “informais” até então firmados, como o não uso da violência e o fim do patrulhamento ostensivo no território do quilombo".

Episódio - No dia 28 de maio, o comando da MB esteve no Quilombo Rio dos Macacos para impedir a construção do imóvel de um morador antigo da comunidade, José de Araújo dos Santos. Ele teve a casa demolida por conta da chuva e resolveu construir em um outro espaço, dentro do quilombo.
A nota enviada pela MB explica que "os moradores não podem realizar qualquer tipo de intervenção no bem, sem a devida autorização judicial". José de Araújo deu início à construção e teria continuado, mesmo após notificação da MB e, por isso, mediante determinação de imediata paralisação de qualquer construção, oficiais da Marinha foram ao quilombo paralisar a obra.

O Comando do 2º Distrito Naval também negou as acusações de ameaças e maus tratos aos moradores de Rio dos Macacos. "O tratamento dispensado pela Marinha do Brasil aos moradores sempre foi respeitoso e humano, e todas as denúncias de conflitos envolvendo militares, que chegaram ao conhecimento do Comando do 2º Distrito Naval, foram devidamente apuradas, por meio dos procedimentos investigatórios pertinentes, não tendo sido encontrado, até o presente momento, qualquer indício que confirmasse a veracidade das acusações".
Fonte:A Tarde Online

sexta-feira, 6 de julho de 2012

BANDO DE TEATRO OLODUM FARÁ LEITURA DRAMÁTICA EM RIO DOS MACACOS



Companhia teatral associa-se a luta dos quilombolas em defesa do território

                              Zebrinha passando as músicas do texto para o elenco

Para chama a atenção da sociedade para as violações sofridas pela comunidade quilombola de Rio dos Macacos, próximo a Simões Filho (BA), o Bando de Teatro Olodum realizará neste domingo, dia 08 de julho, às 10h, uma leitura dramática do espetáculo Candaces, a Reconstrução do Fogo, montagem premiada do diretor Márcio Meirelles, encenada pela Companhia Comuns, do Rio de Janeiro. Por meio da exaltação da força da mulher negra, o texto ressalta mitos e símbolos da ancestralidade africana no Brasil. A história de resistência das guerreiras candaces pode ser associada à luta da comunidade quilombola pela dignidade e em defesa do seu território.   
                              Márcio Meirelles, Cobrinha e Zebrinha

A comunidade formada por 50 famílias negras sofre constantemente pela ameaça de despejo por parte da Marinha do Brasil, que se considera proprietária das terras habitadas pelos moradores há mais de um século. São diversos os relatos de agressão, ameaças, impedimento de circulação e invasão de domicílios. “O Artigo 68 da Constituição de 1988 e o Decreto 4887/2003, garantem os direitos da ocupação secular da Comunidade”, explica a socióloga e Presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra na Bahia, Vilma Reis. “A Marinha do Brasil não pode tomar o Território de Rio dos Macacos porque ela, como instituição Brasileira, não está acima das demais instituições nacionais. Vivemos sob a vigência do estado democrático de direito”, afirma a socióloga, destacando as diversas leis e programas federais em defesa dos direitos das comunidades remanescentes de quilombos.  

“O Bando de Teatro Olodum se associa à luta desses brasileiros que estão sendo ameaçados por aqueles que deveriam garantir sua segurança. A sociedade brasileira precisa ter conhecimento e tomar partido desta situação. Estamos expressando a nossa indignação por meio da nossa arte”, afirma o diretor Márcio Meirelles. O espetáculo Candaces, a reconstrução do Fogo estreou em 2003, no Rio de Janeiro, e recebeu indicações ao Prêmio Shell nas categorias de direção, figurino, música e coreografia.

SERVIÇO
O que: Leitura Dramática de Candaces, a Reconstrução do Fogo
Onde: Comunidade Quilombola Rio dos Macacos, BA 528 - entrada em frente ao Posto de Gasolina Inema – Aratú, Simões Filho – Ba
Quando: Domingo dia 08 de julho, às 10h.
Informações: 3083-4620 - 4619/ http://bandodeteatro.blogspot.com.br/

quarta-feira, 4 de julho de 2012

“Por uma política cultural, honesta, inclusiva e verdadeiramente democrática!”


 Por Hilton Cobra

A audiência pública

A Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal aprovou requerimento encaminhado pelo dep. fed. Luiz Alberto-PT/BA, onde solicita “a realização de Audiência Pública para debater a implementação de política de patrocínio, por meio de editais e linhas de financiamento, para incentivo à cultura e às artes negras em suas variadas linguagens: teatro, música, dança, cinema, fotografia, artes visuais, artes plásticas e literatura”.

Além dos Deputados estão previstas as presenças das ministras Anna de Holanda – da Cultura - MINC, Luiza Bairros - da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR e Helena Chagas – da Secretaria de Comunicação - SECOM, como também dos Presidentes das empresas estatais: Petrobras, Correios, Eletrobrás, Caixa Econômica, Banco do Brasil e Bndes e outros servidores do MINC, SEPPIR, SECOM, etc.

A data para esta audiência esta marcada para o dia 14 de agosto, 14 h, em auditório na Câmara dos Deputados Federais, em Brasília.

IMPORTANTE:
1. É imperativo lotarmos essa plenária. E lotarmos de forma forte, contundente, conscientes do que queremos e inteiros na exigência de uma política cultural necessária para atender as demandas do nosso setor;

2. Para isso temos que divulgar Brasil negro afora, pois será importante termos nessa plenária representantes de vários desses Brasis;

3. Ali teremos que demonstrar nossa força. Somos 50,7% da população brasileira o que representa quase cem milhões de negros nesse País. E ISSO É PODER E TEM QUE SER TRADUZIDO COMO TAL. Lá estaremos com a força desses cem milhões que somos porque estaremos defendendo a arte e a cultura de toda a gente negra brasileira. Arte e cultura determinantes para a formação da sociedade brasileira.

 Serviço

Teatro Vila Velha
Av. 7 de setembro, s/n Passeio Público
04 de julho às 19 h
 Entrada Franca


segunda-feira, 25 de junho de 2012

Festival A Cena Tá Preta abre inscrição para grupos e artistas



Estão abertas as inscrições para a quarta edição do Festival A Cena Tá Preta, promovido pelo Bando de Teatro Olodum, Teatro Vila Velha e o Coletivo de Produtores do Subúrbio. Artistas e grupos culturais podem concorrer à seleção da programação que movimentará a cena de Salvador, entre os dias 09 e 18 de novembro de 2012. Serão selecionados 12 espetáculos nacionais e internacionais de teatro, dança ou música, além de dois textos teatrais inéditos para realização de leituras dramáticas. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até o dia 31 de julho de 2012. Mais informações e a ficha de inscrição encontram-se no site: www.acenatapreta.com.br 

Tema - A mostra visa a valorização da arte baseada na temática afro-brasileira, revelando a diversidade da estética negra, nas variadas linguagens artísticas. Além das apresentações e exibições de filmes, o Festival contará com debates e mesas redondas com pesquisadores. “O projeto vem se consolidando como espaço de visibilidade da performance negra e a ideia agora é expandir as fronteiras, trazendo grupos e artistas de outros países da diáspora africana para uma rica troca de experiências artísticas”, afirma Chica Carelli, uma das responsáveis pelo A Cena Tá Preta.
 A organização do Festival fornecerá, total ou parcialmente, transporte, hospedagem, alimentação, além de equipamento de som e luz. O projeto será realizado em convênio com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República / SEPPIR. Todas as apresentações serão gratuitas.  SERVIÇOInscrições para o Festival A Cena Tá PretaDe 18 de junho a 31 de julho de 2012 pela internet e também pelo correio.Informações: www.acenatapreta.com.br

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Festa São João

Por Auristela Sá

Junho chegou!!!
E com ele uma das festas mais esperadas o São João!!!
Licor de Jenipapo, hummm!!
amendoim cozido, hummm!!!
Bolo de aipim, hummmm!!!
Bolo de carimã, hummmm!!!
Canjica, hummm!!!!
E outras coisitas gostosa mais!
Na Bahia, no Nordeste tudo para, principalmente em muitas cidades do interior baiano.
Esse ano muitas cidades não vão comemorar eesa grande festa em virtude da seca no nordeste. Que triste!


O Bando já está por aí: alguns vão descansar,  outros vão viajar, outros vão ficar na cidade. Quem quiser cair no "regaae" tem algumas opções de forró na cidade e para quem não quer dançar forró, a dica é um ótimo espetáculo de teatro - Olho de Deus o avesso dos retalhos, texto de Sônia Robatto e direção de Márcio Meirelles. O Teatro Vila Velha não pára.

E Viva São João!!!

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Bença no FIT-BH 2012

Por Auristela Sá

                                          O Bando em Belo Horizonte


O Bando apresentou Bença nas Minas Gerais, dentro da programação do FIT-BH 2012 (Festival Internacional de Teatro Palco & Rua de Belo Horizonte). 
As apresentações aconteceram na Escola de Samba Cidade Jardim, no alto da comunidade Santa Maria - de lá tínhamos uma vista privilegiada de toda cidade. O local era um pouco distante do centro da cidade e o meu pensamento inicial foi se teríamos público naquele barracão. A resposta veio logo na estréia com um público bonito, expressivo, motivador e interessado.


Bença foi concebido para comemorar os 20 anos do grupo e estreou  no Teatro Vila Velha em novembro de 2010. O espetáculo fala do tempo, da ancestralidade, da morte do respeito aos mais velhos. Os atores contracenam com depoimentos em depoimento em video de Makota Valdina, Cacau do Pandeiro, Ebomi Cici e Bule Bule figuras emblemáticas guardiãs da cultura popular.


A estrutura da peça é totalmente inovadora, precisa-se de um teatro com 20 metros de boca de cena. O FIT preparou um espaço/projeto para as apresentações de Bença e o enredo ganhou corpo e se iluminou na conexão entre atores, no toques de instrumentos, nas danças ritualísticas e na contracena com os videos dos guardiãs da cultura popular e o público.


Para atriz, Valdinéia Soriano o espetáculo foi lindo, surpreendente, pois em Minas o Candomblé não é tão forte. Mas a forma como o público aplaudiu e assistiu Bença comprova o quanto foi aprovado. Quando se faz com público a emoção é outra. Bença é um espetáculo para se circular. 


Para o ator Jorge Washington foi uma emoção ímpar ver o local das apresentações de Bença no topo do morro, na periferia de Belo Horizonte. O local era de difícil acesso e complicado. Um prazer indescritível assistir essa mistura de público, de classe média, alta e baixa se deslocando de longe para assistir teatro. Sinto  que o Bando cumpriu sua função, o teatro cumpriu sua função ali naquele lugar abençoado. O espetáculo fala de respeito, de tempo, de ancestralidade. Ver a casa enchendo, enchendo, pessoas voltando para rever trazendo mais velhos, mais novos. Uma emoção a cada noite, essa junção de gente. A nossa vitória é essa.


A tarefa foi cumprida e o Bando voltou para casa deixando a "Bença" em cada um. Lembro de Jarbas (nosso diretor musical) comentando sobre alguns dos espectadores depois da peça - uns discutiam o espetáculo e de uma moça que queria apenas ficar quieta, só quieta. No silêncio deixado no palco. Bença.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Bando de Teatro Olodum revela cultura negra em escola de samba no alto do morro, no FIT-BH


                                       Foto: João Meirelles
Por Miguel Arcanjo Prado
Enviado especial do R7 a Belo Horizonte*
Há 22 anos o Bando do Teatro Olodum, que revelou nomes como Lázaro Ramos, faz do teatro uma espécie de porta-bandeira para levar questões da negritude aos palcos de Salvador e do mundo.
O espetáculo/instalação Bença, concebido para celebrar as duas décadas do grupo baiano, é um dos destaques deste fim de semana na programação do FIT-BH (Festival Internacional de Teatro, Palco & Rua de Belo Horizonte).
Em conversa com o R7, o diretor Márcio Meirelles conta que, originalmente, o espetáculo foi montado para o histórico Teatro Vila Velha, em Salvador, mas que ficou satisfeito em remontar a obra na Escola de Samba Cidade Jardim, localizada no alto da comunidade Santa Maria, na capital mineira.
— Achei genial essa proposta do festival. Falamos de ancestralidade e reverenciamos o povo negro nesta peça. Então, nada melhor do que fazer o espetáculo em uma escola de samba no alto de um morro.
Meirelles lembra que o negro ainda é vítima de preconceito e da "desigualdade social fruto de séculos de opressão". Para ele, a história do Brasil “é uma história de privilégios para determinados grupos” e “reconstruir a autoestima do negro é preciso”.
— Temos de mostrar que outra percepção é possível.
Jorge Washington, ator da peça, também falou ao Atores & Bastidores. Disse que a montagem é sempre recebida com um olhar curioso.
— É sempre um olhar de encantamento por conta do que é dito. Falamos de tempo, de ancestralidade, de respeito. Queremos que o público preste atenção a esta sabedoria negra. E o teatro tem essa função, que é dar um toque nas pessoas.
*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do FIT-BH.