quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Lázaro Ramos recebe prêmio Anu 2012 no Teatro Municipal

 Lázaro Ramos e Taís Araújo (Foto: Thyago Andrade/ PhotoRio News

 Lázaro Ramos, Taís Araújo,  Malu Mader e Caetano Veloso, entre outros famosos, prestigiaram a cerimônia do Prêmio Anu, que aconteceu no Teatro João Caetano, no Centro do Rio, na noite desta terça-feira, 28.
Lázaro foi homenageado pelo conjunto da obra com um troféu especial. O ator desenvolve um trabalho social de oficinas de teatro para uma comunidade carente de Salvador, na Bahia. A premiação é organizada pela Cufa (Central Única das Favelas).
O Prêmio Anu tem como principal objetivo destacar ações de toda natureza desenvolvidas dentro de favelas, em todo território nacional, que contribuam para o desenvolvimento humano e social desses espaços.
Lázaro Ramos foi o homenageado desta edição e se emocionou ao receber um troféu e ver um vídeo que amigos e familiares gravaram com depoimentos. Ainda no palco, recebeu o carinho da mulher, Taís Araújo.
Além deles, Chico Buarque marcou presença e fez o discurso de abertura da festa, que ainda contou com shows de Arlindo Cruz e Detonautas.


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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Carnaval 2012, "que estranho, heim!!"

Por Auristela Sá

É, lá se foram os seis dias de folia, ou melhor, sete porque o arrastão cada ano arrasta mais foliões que vão seguindo o trio elétrico até o último segundo da quarta feira de cinzas.


                                           Fotos: Renata Dias

Jorge Washington, como costumamos falar, correu coxia - participou de uma maratona  saiu no Alerta Geral e Alvorada (blocos de samba) no Araketu, no Ilê Ayê e ainda foi para Maragojipe, mas admite que fez tudo meio que por osmose. "O carnaval de Salvador está meio sem atrativos, sem pegada,  tem uma coisa estranha no meio. "Em Maragojipe as portas se abrem, tem o bloco das caretas, todo mundo faz sua fantasia. Os blocos se juntam na praça e depois se separam na maior brincadeira. Não é esse carnaval enlatado.


Magary Lord - "colar de negão, luva na mão e o jeito Michael Jackson..." tive o prazer de conhecer Magary através de Jorge, procurávamos um cantor para fazer uma participação no espetáculo Cabaré e Jorge Washington trouxe o Lord. A química deu tão certo com o Bando que ele retornou umas três, quatro vezes.   Sai literalmente atrás do trio elétrico do Araketu puxado por Magary Lord com alguns bandoleiros (Cássia, Valdinéia, Jarbas, Merry, Fábio, Ridson e Jorge. Música de preto cantada por preto. Circula Magary!

Apaixonada que sou pelo Carnaval, tentei acompanhar tudo que acontecia na cidade inclusive pela televisão (o que é uma missão difícil para a tv ,não é mesmo?!).
Fui ver coisas pontuais como os shows do pelourinho, um pouco da avenida e, talvez a melhor coisa que vi, a mudança do Garcia. Fui com um amigo que foi fotografar e meu olhar se abrilhantou. Gente fantasiada, as casas abertas, os pequenos blocos. Fui a um camarote - o Camarote da Rainha. D. Judite, mãe de um amigo que recebe na sua casa todos que passam com o coração repleto de sorrisos e a famosa feijoada, deliciosa. Obrigado D. Judite!
A mudança e o camarote de D. Judite fez meu carnaval mais feliz e menos estranho.

Para Jarbas Bittencourt o carnaval foi bem diferente: " Sai muito para rua. foi bacana, mas foi tão estranho quanto o momento atual que a cidade vive. O carnaval é o espelho fiel da cidade . Precisamos rever muita coisa".

Quanto à mim só resta fazer coro para Magary: "que estranho"

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Já é Carnaval, cidade!!!

Por Auristela Sá

Esses últimos dias encontrei uma Salvador normal.
Fim dos dias estranhos!!
Normal, entre aspas, o clima do carnaval já impera na cidade. Engarrafamentos horrorosos, finalização de decoração, entrega de abadás e outras coisitas mais...

Mesmo que a gente não queira, esse clima vai nos contagiando e ninguém sabe explicar, só nós mesmo: brasileiros, nordestinos, baianos que com todas as nossas mazelas, temos toda alegria e suingue que faz contagiar não só o continente, mas todo o Globo.

Amo carnaval por esse espírito de liberdade, de brincadeira que provoca nas pessoas. Nunca vou esquecer minha primeira lembrança do Carnaval. Na verdade, foi micareta, que são os carnavais menores no interior. Todos de mortalha, pés descalços para pular. Mais tarde em Salvador vi a praça Castro Alves lotada, o trio puxando o bloco e todos de mamãe sacode na mão. No último dia do carná, vi o encontro de trios. Imagem inesquecível!

Perguntei há alguns colegas artistas sobre o seu carnaval: Ridson, disse não saber, para logo depois dizer que vai passar uns dias na ilha, quer saí um dia nos Muquiranas (olha que graça!)e seguir Magary Lord que sai um ou dois dias sem corda. O diretor Meirelles (Márcio) fala que sua primeira lembrança é contaminada por uma foto. Ele pequenino vestido de príncipe e suas tias e mães se arrumando para o baile. Chica Carelli foi rápida lembra de Moraes cantando "Eu sou um carnaval em cada esquina, do seu coração...", afirmando que era o hit da época. Jarbas lembra que quando criança morava numa rua em que ficavam os trios Saborosa e Dodô e Osmar, e ele ficava fascinado com aqueles caminhões. Em seguida afirmou que se tornou músico por isso.
Obrigado Dodô e Osmar. Obrigado Saborosa!

Val (Valdinéia) lembra dos tios se arrumando com mortalhas e caretas (máscaras) assustando os meninos na rua para só depois descer para avenida.

Já é carnaval - os dias estranhos se foram mais ainda são dias difíceis. Vamos descer  para avenida, ou melhor, para os circuitos carregados de paz, amor e só alegria.

Preparem as purpurinas!!!!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Cabaré da Rrrrraça

  Por Jarbas Bittencourt
   
        Gostaríamos de explicar as razões que nos levam hoje a cancelar a apresentação do espetáculo Cabaré da Raça que seria apresentado no Teatro Vila Velha logo mais as 20:00.
        
        A normalidade quase que completamente restabelecida no centro da cidade não se reflete ainda na sensação de insegurança vivida por muitos daqueles que residem em bairros distantes do centro como alguns dos integrantes do Bando de Teatro Olodum.         

       Não é novidade que a periferia desta cidade partida vive de maneira amplificada os altos níveis de tensão social a que estamos submetidos cotidianamente. Em nome da segurança de alguns dos nossos artistas e de parte do nosso público decidimos não entrar em cena esta noite.

      Mas para o Bando o palco vazio de logo mais estará repleto em nós de sentimentos, ideias e reflexões sobre esses dias... 

      Dias que nos fazem lembrar de quando os reflexos de uma paralisação da força policial em 2001 nos conduziram a montagem do espetáculo “Relato de Uma Guerra que Não Acabou”. Nesta montagem retratamos a “normalidade” da vida da periferia de Salvador antes, durante e depois de uma greve desta natureza.

      Dias que nos fazem refletir sobre o frágil equilíbrio social mantido equivocadamente pela militarização da segurança pública e sobre “qual a paz que queremos conservar pra tentar sermos felizes”.

      Dias que nos fazem pensar nas palavras do geógrafo Milton Santos ao afirmar que “ou implantaríamos um projeto político capaz de conduzir o Brasil de forma planejada a um modelo mais digno de sociedade ou cairíamos nos caos da convulsão generalizada provocada pela cruel desigualdade social que sustentamos.

     Dias que nos fazem querer trabalhar por dias de paz! Mas paz com voz pois “Paz sem Voz é Medo”!

        

      

Théâtre du Soleil, O Bando, A Outra, Companhia Novos novos, Nata, Breve e muito mais....

Maurice Durozier da companhia Théâtre du Soleil ministra uma oficina, pela manhã, para atores dos grupos residentes do Teatro Vila Velha: o Bando, A outra, companhia Novos Novos,  Companhia Nata de Alagoinhas, e para os atores dos espetáculos  Breve, além de Zeca de Abreu, Luis Bandeira, entre outros.


Maurice, Ricardo, Ewerton e Ridson (indicações e sorrisos)

foto: Jorge Washington


Nessa oficina Maurice trabalha seguindo os métodos utilizados pela Companhia du Soleil para criação dos espetáculos.                            



Para Jorge Washington, que está como ouvinte e fotógrafo, a oficina está uma delícia. "Tenho aprendido muito como ouvinte. Maurice tem uma capacidade de instigar o ator, mexer,  mostrar para ele que cada ação tem o seu tempo. Nós temos uma urgência de resolver logo a cena. Ao longo dos dias, vejo que não, tudo tem o seu tempo. O tempo de chegar, se instalar, mostrar o personagem. Viver cada momento, de verdade...só alegria."

Ridson num momento de concentração
foto: Jorge Washington

 Zeca de Abreu, (atriz e diretora) com minha pergunta sobre a oficina de Maurice depois de um longo tempo em silêncio, deu um suspiro e, sobre a oficina, falou ser um presente para ela. "Maurice vem com uma generosidade, uma paixão. É um amor pelo fazer teatral , uma coisa que Márcio Meirelles tem também, um jeito de falar que nos enfeitiça e para o ator isso é maravilhoso, porque no pique do dia a dia o fazer teatral se perde um pouco".

Maurice e Zeca - orientações para a cena
foto: Jorge Washington



Para mim, a oficina veio num momento propício. Veio de um namoro antigo do Bando de Teatro Olodum com Théâtre du Soleil (Maurice) que só agora é consolidado.
O teatro é também sinônimo de resistência, revolução. Fazemos então a nossa revolução nesses dias estranhos.

 Cláudia -a atriz veio especialmente de Brasília para a oficina

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Maurice Durozier ministrará workshop baseado em Shakespeare

Maurice Durozier no Teatro Vila Velha


Ator da companhia francesa Théâtre Du Soleil estará no Teatro Vila Velha de 6 a 10 de fevereiro


As Oficinas Vila Verão, projeto realizado pelo Teatro Vila Velha desde 2007, recebe Maurice Durozier, um dos mais importantes atores do Théâtre Du Soleil (FRA), para ministrar o workshop intitulado “Com Shakespeare” de 6 a 10 de fevereiro. As aulas acontecem de segunda a sexta, das 9h às 13h.

Nessa oficina, Maurice trabalhará a comédia a partir de textos de Shakespeare, em especial “A Noite de Reis”, por considerar a sua obra uma escola para o ator. De acordo com Durozier, Shakespeare é, acima de tudo, a escola do ator porque nada o predestinava ao teatro. Ele entrou nesse universo pela porta dos fundos. “Quando ele chegou a Londres vindo do campo, ele cuidava dos cavalos e das carroças dos ricos espectadores. Shakespeare era o flanelinha da época. Mas, ele era um gênio, e aprendeu muito rápido. Cinco anos depois ele já tenha a sua trupe”, conta.


A companhia
A companhia Théâtre Du Soleil foi fundada em 1964 por Ariane Mnouchkine e alguns colegas da Universidade de Sorbonne, como uma Sociedade Cooperativa Operária de Produção, ou seja, uma empresa baseada na associação voluntária de artistas e técnicos e gerida coletivamente. Em atividade ininterrupta há 43 anos, o Théâtre du Soleil é uma das últimas companhias ainda existentes na Europa a funcionar desse modo. O percurso da companhia é marcado por uma interrogação constante sobre o papel, o lugar do teatro e sua capacidade de representar a época atual.